Buscar
  • Rodrigo Viudes

MEMÓRIA

Atualizado: 6 de Mai de 2019

A 2ª matéria do especial do BOM DIA, publicada em 17.03.2013, traz um retrato da preservação histórica no Museu Ferroviário de Bauru em 2013. Veja o que mudou


Reprodução de Manchete de matéria publicada no BOM DIA Bauru na versão impressa

A tarde já caía na última sexta-feira (15) quando a auxiliar de enfermagem Maria Izabel Botelho chegou admirando tudo na companhia da filha, Bianca Nunes Machado, 7. Aos 56 anos, era a primeira vez que a mulher, residente em Bauru, botava os pés dentro do Museu Ferroviário Regional.

“Dá até uma saudade na gente ver tanta coisa aqui”, diz ela, ex-mulher de um ferroviário da extinta Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (1906-1975), cujos trilhos, dormentes, equipamentos e demais peças em geral formam a maior parte dos mais de 600 itens em exposição permanente.

Durante toda a sexta-feira, somada a visita de mãe e filha, apenas outras cinco pessoas haviam passado por ali, segundo o livro de registro de entrada – quatro estudantes de Bauru e um empresário de Bertioga.

Ainda de acordo com a mesma fonte, nos 15 primeiros dias do mês não havia aparecido por ali nem 50 visitantes. “Temos uma média diária de 14 pessoas”, calcula um dos monitores, Ricardo Volpe Ortega, 47.


Imagem de ambiente interno do Museu Ferroviário registrada para material na versão impressa

Ou seja: na maior parte da semana, o museu permanece do jeito que abre: praticamente sem ninguém. Nada de extraordinário para um espaço cuja criação permaneceu solitária no fundo de uma gaveta por mais de 20 anos até ser efetivamente implantado.

Legalmente, o museu nasceu pela Lei 1.425 de 11 de julho de 1969. Voltou à discussão pública apenas em 1.986 para mudança ao nome atual e só foi, enfim, aberto, em 26 de agosto de 1989.

“Em 1992 nós fomos pessoalmente pegar um pouco do que havia sobrado nos galpões da ferrovia para trazer para cá e em 1995 abrimos, enfim, os arquivos para a visitação pública”, conta o historiador João Francisco Tidei de Lima, que atuou junto à implementação do formato do atual museu.


NOVO VISUAL

É justamente isso que a Secretaria Municipal da Cultura pretende alterar, ainda neste ano, para tentar atrair um número maior de frequentadores. “Vamos abrir uma licitação para uma empresa de plotagem para que possamos ampliar algumas fotos e tornar o espaço mais atrativo, interativo”, afirmou o diretor da Divisão de Museus, Orlando Alves.

Ele salientou que o maior número de frequentadores no local é de estudantes, principalmente os que integram os projetos culturais da rede estadual de ensino. “Entre abril a outubro, as visitas das escolas são frequentes, intensas, cedo, à tarde e à noite”.

Enquanto isso, no entanto, o museu depende da boa vontade de quem tenha interesse em conhecer a história da ferrovia que parece cada vez mais distante do cotidiano da cidade.



E HOJE, COMO ESTÁ?

Passados seis anos, a frequência de visitas no museu ferroviário em Bauru parece não ter mudado muito – pelo menos, fisicamente. Em 2015, o local estimava a visita de 5 mil pessoas – o que daria uma média de 13 por dia, uma a menos que a de 2013. Em 2019, o contato ficou cada vez mais digital.

O site do museu (acesse aqui) proporciona ao visitante virtual uma viagem pela história da ferrovia através do link do acervo digital, que conta com documentos, imagens e vídeo (Clique aqui)

As dependências do museu passaram por reformas em 2014. Houve pintura de ambientes, troca de pisos e melhoria na ventilação para melhor preservação do acervo. Em 2018, o local ganhou totens bilíngues (português e inglês), além de painéis e vitrines.



Embora tenha ‘perdido’ dois carros de passageiros, enviados para restauração (veja aqui), o pátio da antiga estação ferroviária de Bauru, anexa ao museu, ganhou o restauro de duas locomotivas elétricas - uma ‘Vandeca’ e uma ‘V-8’ – e um vagão de bagagem.




Apesar dos planos de expansão do trecho, o passeio de Maria Fumaça continua apenas entre uma estação e outra, dentro de Bauru. A tragédia ferroviária ocorrida em 2014 em São José do Rio Preto (leia aqui) chegou a interromper o serviço em Bauru por vários meses.

Ricardo Volpe Ortega continua vinculado ao museu ferroviário e o historiador João Francisco Tidei de Lima segue como uma das principais referências quando o assunto é Bauru – e a ferrovia, em especial. Orlando Alves atualmente trabalha na prefeitura. O blog não localizou, até o momento, onde estariam mãe e filha do começo da reportagem republicada neste post.


MUSEU FERROVIÁRIO

O Museu Ferroviário Regional de Bauru fica na rua Primeiro de Agosto, quadra 1, s/n, no centro. As visitas podem ser feitas de terça a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h e aos sábados, das 8h30 às 13h30. O telefone é o (14) 3212-8262.

0 visualização

© 2023 por Armário Confidencial. Orgulhosamente criado com Wix.com