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  • Rodrigo Viudes

MISSÃO APOLO TECNOLÓGICO

Atualizado: 13 de jan.

Após pouso de ministro-astronauta, Marília busca propulsão de captação de recursos para instalação de complexo de inovação e porto seco intermodal em distrito que orbita cidade. Ufanismo político lunar contrasta com discurso ‘metaversal’ do empresariado. Pontes confirma desacoplagem de ministério para concorrer às eleições em solo paulista.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, ainda orbitava Marília nesta terça-feira (11), um dia após pousar em solo local a bordo de um Embraer 145 da Força Aérea Brasileira (FAB).

Depois de Pompeia (SP), ele ainda seguiria o curso de sua agenda na manhã desta quarta (12), em Assis (SP), antes de retornar a Marília e embarcar para Salvador (BA), onde lançará, nesta quinta (13), a fase 1 da vacina nacional contra a Covid-19.

Em solo mariliense: ministro Marcos Pontes fez passagem meteórica pela região de Marília nesta semana
Calculada há meses pela terráquea política de Marília, a passagem meteórica do ministro-astronauta deixou para trás o rastro de sua visibilidade para que a cidade propulsione sua própria ‘missão Apolo’: o Parque Tecnológico.

NOSSA ‘LUA’

Tal qual a lua, pisada pela 1ª vez em 1969, o lugar a ser desbravado por Marília encontra-se em um de seus distritos-satélites: Lácio. Mais precisamente, uma área municipal inóspita de pouco mais de 200 mil metros quadrados.

Nossa visão lunar: área localizada em 'distrito-satélite' será explorado para implantação polo de inovação
Ali, segundo o projeto, espera-se que sejam erguidos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de propostas de inovação, um anfiteatro e áreas de convivência em moderna arquitetura, além de amplo estacionamento.

Há espaço, ainda, para a construção do futuro centro administrativo municipal e de um condomínio empresarial, cujos ‘lotes’ serão licitados às empresas que lá se instalem e usufruam da nova estrutura logística de Marília.

Futura nave: Parque a ser construído será acoplado a centro administrativo e condomínio empresarial

O terreno é vizinho à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), cuja concessionária, a Eixo, acaba de autorizar um acesso exclusivo; e também da ferrovia, a ser reativada até 2024 pela Rumo Logística.

“Trata-se de um porto seco, que faz a aduana, a alfândega, possibilitando a logística de distribuição de recebimento e distribuição da produção industrial e agrícola de Marília”, explicou ao blog o secretário municipal de Planejamento Urbano, José Antonio de Almeida.
Mundo logístico: vizinho à rodovia SP-294 e à ferrovia, Parque Tecnológico terá instalação de porto seco

Questionado pelo blog, o prefeito Daniel Alonso (PSDB) evitou garantir que a obra seja finalizada e entregue até o final do seu mandato, em 2014. "Eu estou empenhado de corpo e alma neste projeto", disse.


CUSTOS ESTRATOSFÉRICOS

Lançados os projetos, Marília agora precisa chegar à sua ‘lua’. A propulsão, do chão à realidade, vai consumir muito dinheiro. Pelo menos R$ 30 milhões, segundo cálculos divulgados pela Prefeitura de Marília.

Em seu Orçamento Geral-2022, a administração municipal reservou despesa de apenas 1% (R$ 300 mil) para “implantação do Parque Tecnológico” via Secretaria Municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico.
Pouco combustível: Marília reservou só R$ 300 mil no Orçamento-2022 para implantação do Parque Tecnológico

O valor pode ser ampliado, ao longo do ano, pela abertura de créditos, seja por remanejamento de recursos do próprio orçamento ou de outros valores recebidos, inclusive por eventuais emendas parlamentares.

Plano de voo: secretário de Planejamento Urbano, José Antonio, mostra projeto ao ministro Marcos Pontes

Por ora, a captação está concentrada em duas fontes. A primeira é a Chamada Pública lançada pelo próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para construção de parques tecnológicos. A oferta é de R$ 180 milhões para projetos de todo o país.

A outra alternativa que resta é buscar recursos na iniciativa privada. Futuro mantenedor do Parque Tecnológico de Marília, o Centro Universitário Eurípides de Marília (Univem) já investe no projeto há anos.

UNIVERSOS DISTINTOS

Empresários envolvidos na implantação dos projetos de inovação na cidade – entre vários, o do Parque Tecnológico – compuseram mesas ao lado de autoridades municipais por ocasião da visita do ministro Marcos Pontes.

Apesar do propósito comum de realização, ambos expuseram narrativas de universos distintos: os empresários, envoltos em um metaverso de possibilidades e os políticos ainda retidos no analógico discurso ufanista.
Visões distintas de mundos separados por um astronauta: à esquerda, a empresarial; à direita, a política

Representados pela Associação Comercial e Industrial de Marília (Acim), os empreendedores discursaram sobre o novo ambiente de inovação da entidade e a plataforma que antecipa futuras relações de consumo em plataforma virtual em 3D.

Últimos a se manifestarem, por força de protocolo, o presidente da Câmara Municipal, Marcos Rezende (PSD) e o prefeito Daniel Alonso (PSDB) elevaram suas projeções de presente e futuro para Marilia a alturas estratosféricas de desenvolvimento.

“Vamos fazer de Marília um Vale do Silício do Centro-Oeste Paulista e entrar para a história”, repetiu Alonso, referindo-se à região californiana, nos Estados Unidos, berço de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Resguardadas as dimensões de investimentos, a ‘versão mariliense’ do maior centro de inovação do planeta gestou negócios de alcance mundial como o Pagamento Digital e a Tray (hoje, uma divisão da Locaweb), entre outros.

Inovação 'made in Marília': Tray é apenas um de projetos bem sucedidos de tecnologia desenvolvido na cidade

DESACOPLAGEM

Ainda em sua passagem por Marília, o ministro Marcos Pontes confirmou em coletiva de imprensa que deixará o cargo para concorrer a um cargo público nas eleições deste ano. A desacoplagem, no caso dele, é em abril.

“Eu tenho conversado com o presidente (Jair) Bolsonaro (PL) a respeito disso, a exemplo de outros ministros e a ideia é que a gente se encaixe dentro de um xadrez. Devo ser candidato a alguma coisa”, afirmou.

Paulista de Bauru (SP), Pontes deve ser orientado a buscar uma vaga no legislativo – Câmara Federal ou Senado. Bolsonaro precisa de palanque em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil. Um a cada cinco brasileiros vota em urnas paulistas.

A preferência do presidente para o governo bandeirante é do seu ministro de infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Marcos Pontes seria um ‘plano B’. Vai depender de como o primeiro decolar nas pesquisas.

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