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  • Rodrigo Viudes

NEM ATÉ LÁCIO, PREFEITO

Abandono de linha férrea impede chegada de trens até 'distrito limite' de tráfego 'admitido' por Daniel Alonso. Concessionária diz realizar roçadas no perímetro urbano.



O prefeito de Marília, Daniel Alonso (PSDB), afirmou em entrevista ao programa Roda Marília, da TV Cidade Marília (Canal 9) na última terça-feira (12) que "admite" e "quer" que os trens "cheguem até Marília", mas "no máximo até Lácio", para eventual instalação de um porto intermodal.

Segundo o prefeito, caso os trens voltem a passar por Marília, provocarão "um problema crítico, caótica e, dependendo da quantidade, um colapso na mobilidade de nossa cidade". "Não dá para pensar em permitir que os cargueiros voltem a passar pelo centro", defendeu.

Apesar da opinião, o prefeito não tem qualquer autoridade sobre o uso dos trilhos que cortam Marília de Norte a Sul, e vice-versa. A ferrovia é de responsabilidade da União e está concessionada desde 1998. A Rumo Malha Paulista assumiu a concessão em 2017 após incorporação da América Latina Logística (ALL).



A antiga gare do Distrito de Lácio está encoberta de matagal

ABANDONO

O curioso é que, por ora e, apesar da concessão, as condições atuais da ferrovia na região não permitem que os trens cheguem, sequer, em Garça (SP), devido uma queda de barragem que soterrou os trilhos. Confira aqui vídeo da situação do local, divulgado por um internauta em seu canal no Youtube, em 2017.

A situação em Lácio não é muito diferente. Os trilhos estão cobertos pelo matagal e só se pode notar que ainda estão ali por conta de uma trilha aberta pela população ao lado do que sobrou da antiga gare e do prédio que servia de estação e hoje é um posto de saúde abandonado.

Apesar do cenário, a Rumo Malha Paulista informou a este blog que "está realizando constantemente serviços de roçada no perímetro urbano de Marília" - como se observou onde havia o antigo pátio ferroviário do distrito - e que "os trabalhos serão intensificados nos próximos meses".


RENOVAÇÃO DE CONCESSÃO

Por enquanto, não dá para imaginar qualquer situação diferente além de eventuais 'roçadas'. A concessionária afirmou que "tem ainda um projeto de revitalização do ramal ferroviário do Município, mas que depende da aprovação da renovação antecipada da concessão da Malha Paulista".

Ou seja: a Rumo somente fará qualquer investimento na região de Marília, por exemplo, depois que o Governo Federal aceitar a renovação, agora e em mais três décadas, da concessão que terminaria em 2028. Pela regra atual, a renovação só poderia ser solicitada ao final da concessão.

A situação é inédita no quadro de concessões ferroviárias no Brasil. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aguarda a conclusão de estudos solicitados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para se posicionar oficialmente sobre a solicitação da Rumo Malha Paulista.


NO 'CONTRA-TRILHO'

A concessão já apresentou um plano de reativação do trecho ferroviário entre Bauru e Panorama em encontro promovido em julho de 2017 pelo Ministério Público Federal (MPF), na Universidade de Marília (Unimar). Prefeitos, vereadores e empresários de várias cidades marcaram presença.

Na ocasião, a Rumo expôs um projeto de renovação da malha paulista, com substituição de trilhos e dormentes e a reativação de antigos ramais para interligação com a hidrovia Tietê-Paraná através do Porto de Panorama (SP), desativado desde o fim dos anos 1990. A obra foi orçada em R$ 5 bilhões.

Apesar do volume dos investimentos estimados pela Rumo, o prefeito Daniel Alonso reafirmou no Roda Marília não apoiar a retomada do tráfego de trens pela cidade. "Não temos necessidade da continuação dessa linha férrea de Marília a Panorama. Se depender de mim, não passa".


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