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  • Rodrigo Viudes

PALAVRA DE JOÃO

Atualizado: 14 de Fev de 2019

Ex-vigário diocesano supostamente exposto nu em panfletagem ataca dossiê, enaltece seu sacerdócio e recomenda os que o acusam para que procurem o bispo


O ex-vigario diocesano João Carlos Batista (crédito: Pascom/Paroquia Nossa Senhora de Guadalupe)

Três dias depois de ser supostamente exposto nu em uma panfletagem espalhada no principal corredor do centro comercial de Marília, o ex-vigário da Diocese de Marília, o cônego João Carlos Batista, enfim, manifestou-se, por e-mail, em um 'Comunicado a jornalistas' enviado também a este blog.

Ele questiona o interesse pela publicação da panfletagem "fundamentada em uma denúncia anônima, portanto, covarde", sem ter sido procurado para que se manifestasse sobre o assunto (veja contestação a este e outros pontos do 'comunicado' no fim do texto).

O ex-vigário voltou a criticar o dossiê anônimo distribuído à imprensa de Marília e região em 2018, que classificou como "famigerado". "Eu sempre aprendi que a um documento sem assinatura não podemos dar crédito, mas pelo jeito não é o que pensam tais jornalistas. Que nome se dá mesmo a quem propaga “fake news”? Não me recordo neste momento", escreveu. Ele cobrou que os nomes de outros padres envolvidos também sejam revelados. "Por que só eu?", questionou.

Sobre as acusações que pesam contra ele, sugeriu que "se quiserem mesmo me afastar do ministério sacerdotal, procurem o bispo diocesano, prestem depoimento por escrito, com data, RG e assinatura legível, apresentem provas concretas e não fajutas. A partir daí a denúncia vai adiante".

O padre afirmou, mais uma vez, ter pedido renúncia à função de vigário geral da Diocese de Marília e não "ter sido retirado" como "alguns jornalistas se dão o direito de concluir". "Tomei a decisão de renunciar à função e o fiz por escrito, como pede a Igreja. A referida carta de renúncia está com o senhor bispo", afirmou.

O atual pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe enalteceu sua atuação ministerial sem "buscar privilégios", mas "para servir a Igreja, por amor a Cristo e aos irmãos" e discorreu sobre sua biografia, desde a infância até a escolha pelo sacerdócio e não por uma carreira no serviço público, ou até pelo Jornalismo "que era o meu sonho também".

Por fim, ele pede aos jornalistas que "que cuidem de vida de vocês" e o "deixem em paz", diz esperar "não voltar mais a esse assunto" e supõe seu lema para 2019, inspirado no ator norte-americano Henry King (1886-1982): "falem bem ou falem mal, mas falem de mim!".


RESPOSTA NA ÍNTEGRA

Sinceramente, não sei qual o interesse de vocês jornalistas em publicar uma notícia a meu respeito, fundamentada em uma denúncia anônima, portanto, covarde, sem nem sequer me perguntar o que eu poderia dizer sobre o assunto.

Vocês nem me conhecem direito. Não sabem do meu caráter e das diversas funções que eu assumi na Igreja, desde o episcopado de Dom Frei Daniel Tomazella, que foi quem me ordenou Diácono e Presbítero, até o dia de hoje.

Posso assegurar que todas as funções que assumi na Igreja foi para colaborar e ajudar na vida pastoral da Igreja Particular de Marília (Diocese de Marília). Nunca procurei lugar de destaque. Nunca ocupei funções para “aparecer” diante das pessoas. Nunca busquei privilégios. Tudo o que fiz até hoje foi para servir à Igreja, por amor a Cristo e aos irmãos.

Quando fui nomeado Vigário Geral da Diocese de Marilia em 14/11/2013, o bispo diocesano deixou claro que seria por um período e não para sempre. Então, ao completarem 5 anos e percebendo que não estava conseguindo realizar tudo o que a função exige (tenho mãe com 87 anos de idade que mora comigo e precisa de cuidados), tomei a decisão de renunciar à função e o fiz por escrito, como pede à Igreja. A referida carta de renúncia está com o senhor bispo.

No entanto, por conta de um famigerado “dossiê anônimo”, onde a pessoa (ou pessoas) expressa o seu caráter covarde denunciando padres, por meios não oficiais, alguns jornalistas se dão o direito de concluir que eu fui “retirado” da função de Vigário Geral Diocesano, e de outras inerentes à função, e nem foram em busca da verdade para saberem se eu fui destituído ou pedi afastamento da função.

Acontece que ao exporem o meu nome, com foto, como é o caso de pelo menos dois blogs, o que era um dossiê anônimo, tais jornalistas estão me expondo. Se estão aceitando um dossiê anônimo como algo verdadeiro, porque não expuseram os outros também? Porque só eu? Eu sempre aprendi que a um documento sem assinatura não podemos dar crédito, mas pelo jeito não é o que pensam tais jornalistas. Que nome se dá mesmo a quem propaga “fake news”? Não me recordo neste momento.

Estão tentando me destruir, mas não conseguirão. Não cometi crime algum. Tenho minha consciência tranquila. Não devo nada a ninguém. Se quiserem mesmo me afastar do ministério sacerdotal, procurem o bispo diocesano, prestem depoimento por escrito, com data, RG e assinatura legível, apresentem provas concretas e não fajutas. A partir daí a denúncia vai adiante.

Se não tiverem como fazer isso, por favor me deixem viver e trabalhar em paz. Não sou sacerdote por exibicionismo. Nem por status. Também não entrei no seminário porque tinha necessidades financeiras. Sou de família pobre sim. Meu pai faleceu quando eu tinha 10 anos. Meu irmão mais novo tinha 2 anos, nem conheceu direito o pai. Somos 4 irmãos. Minha mãe optou por cuidar dos filhos e nunca se casou de novo. Trabalhou de empregada doméstica e sempre foi uma mãe exemplar. Eu comecei a trabalhar aos 14 anos de idade (sem registro) e com registro em carteira a partir de 1º de maio de 1972, com 16 anos.

Trabalhei no Aeroporto de Marília, como auxiliar de tapeceiro, em seguida numa marcenaria (Alfredo Teixeira & Filho), depois na Industria e Comércio Sasazaki Ltda. (assim era a razão social da empresa naquele momento).

Em julho de 1976, após ser aprovado em um concurso público fui trabalhar na Divisão Regional Agrícola (DIRA). Em 1980 participei e fui aprovado em um concurso para o INSS. Entretanto, não assumi porque já estava com malas prontas para iniciar a Teologia, na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, e residindo em Guarulhos. A Filosofia eu cursei na Unesp, em Marília, à noite, porque trabalhava durante o dia para ajudar no sustendo de minha mãe e meus irmãos.

Hoje me pergunto: se eu tivesse desistido de ingressar no seminário para ser padre e tivesse optado por assumir a função no INSS será que eu seria alvo dessas maldades, como tem acontecido nesses dias? Com certeza teria minha aposentadoria bem mais elevada do que os R$ 1.300,00 que recebo atualmente e que vai diminuindo, com certeza.

Por favor, cuidem da vida de vocês! Me deixem em paz. Não devo nada pra nenhum jornalista. Aliás, se não tivesse optado pelo sacerdócio, eu teria feito jornalismo ou comunicação, que era o meu sonho também.

Espero não ter que voltar mais a esse assunto! Como diz o provérbio árabe “enquanto os cães ladram, a caravana passa”. Ou será que terei que adotar como meu lema para este ano a frase de Henry B. King: “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim!”


Côn. João Carlos Batista

Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe

Marília – SP


NOTA DO BLOG

Face às afirmações do padre João Carlos Batista em seu 'Comunicado a jornalistas', este blog presta os seguintes esclarecimentos:


1 - Diferente do que o padre alegou em seu comunicado, este blog o procurou, ainda na terça-feira (5), em telefonema à secretaria da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, às 15h01. A secretária retornou a ligação às 15h57, conforme consta em áudio gravado. Veja transcrição abaixo:


Blog: Alô?

Secretária: É o Rodrigo?

Blog: Sou eu mesmo!

Secretária: Ô Rodrigo, é a Eliana aqui da paróquia Guadalupe. Você pediu pra passar o seu número pro padre, né?

Blog: Isso, isso, exatamente.

Secretária: É, então, eu passei... É que ele pediu pra mim (sic) dizer pra você que ele não quer falar. Não vai falar com você.


2 - Quanto ao interesse da publicação do post sobre a panfletagem - e todos os demais, inclusive este e os próximos - é nenhum outro senão o de informar, com seriedade e transparência, a respeito de fatos e investigações relacionadas, por exemplo, a pessoas públicas como políticos e padres. Ora, a panfletagem aconteceu em área pública, à vista de centenas de pessoas. O blog preza pela sua linha editorial independente, pluralista e investigativa, e assim continuará.


3 - Sim, este blog publicou que o padre "foi retirado" da função de vigário geral. Mas esta expressão está no contexto (veja aqui). É uma ação que cabe ao bispo e independe da vontade ou não de terceiros: ele retira e coloca quem e quando quiser. A Cúria não confirmou até o momento, oficialmente, que o padre tenha pedido de renúncia.


4 - Quanto à exposição do "nome e foto" do padre supracitado, a iniciativa não foi do blog, mas da panfletagem. A referência ao dossiê já havia ocorrido por ocasião da publicação do fim de seu vigariato. Outro caso foi do padre Claudinei de Almeida Lima, transferido para missão na Diocese de Coari (AM) após renunciar à função de pároco da Paróquia São José, de Panorama (SP) sob acusação de esbanjar os recursos da comunidade (veja aqui). Em ambos os exemplos, a citação se fez necessária em virtude do contexto: no caso do ex-vigário, pelo fato de a exposição das fotos ser uma acusação conhecida do presbitério e não do público (até a panfletagem) e no do padre Claudinei, pela forma como se deu sua escolha pelo bispo de Marília, dom Luiz Antonio Cipolini, apesar de sérias acusações que pesam contra o sacerdote - não citadas devido às investigações sigilosas, o que também impede, por ora, a informação dos nomes dos demais padres acusados no dossiê.


5 - É estranha a insinuação do ex-vigário de que este blog propague 'fake news'. Não é de nossa autoria nenhum post ou informação que não esteja checada, documentada, ou seja de conhecimento público. Não fosse assim, com a devida responsabilidade na apuração de todo conteúdo divulgado, imagina-se qual seria o impacto na Diocese de Marília se o dossiê anônimo e as investigações que o sucedeu fossem divulgados na íntegra. Sem provas, as notícias seriam certamente classificadas como 'fakes'. O nome que se dá a quem faz isso, padre João, é um só: criminoso. A quem apura e divulga, se conhece por jornalista.


6 - O padre diz não dever para nenhum jornalista. Por aqui, no entanto, ao que consta, ele ainda não quitou sua parcela de esclarecimentos necessários para compreensão das acusações que pesam contra ele, a começar pelo episódio da panfletagem: por que o padre não prestou queixa? Por que abrir mão de uma eventual investigação policial? E ainda: por que a Cúria não manifestou solidariedade pública ao seu ex-vigário, como fizera no ano passado, em circular reservada as presbitério, por ocasião da divulgação das mesmas imagens?


7 - Quanto ao lema escolhido pelo padre para 2019, sugere-se outro, que ele talvez preferisse se, em vez de sacerdote, tivesse se formado jornalista e, tal qual no ofício de hoje, estivesse também comprometido com a verdade. Ei-la: "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade" [George Orwell (1903-1950)].



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