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  • Rodrigo Viudes

UM PAPA 'SINCERÃO'

As reflexões de Francisco sobre os escândalos da Igreja Católica nos Estados Unidos no editorial de domingo (6) do Jornal da Manhã de Marília*



Papa francisco manifestou-se novamente sobre os crimes cometidos pela Igreja Católica nos EUA. Crédito: AP Photo

Um papa argentino, com muito carisma e também bastante sincero em seus pronunciamentos, princi­palmente quando aborda os erros e fracassos do catoli­cismo. Isso não é de hoje, mas os Papas anteriores fize­ram muita vista grossa para os problemas que afligem a Igreja, mormente quando se trata de pedofilia.

Só que os problemas cres­ceram muito nos últimos anos e as pessoas criaram co­ragem para fazer as denún­cias, sejam contra padres ou bispos. E foi exatamente por ocasião de um encontro de bispos nos Estados Unidos que o papa resolveu colocar a mão na ferida novamente.

Em uma longa e incomum carta enviada aos bispos nor­te-americanos, o Papa Fran­cisco admitiu a perda de cre­dibilidade da Igreja por causa dos recentes escândalos de abuso sexual e pede ao clero americano que mostre unida­de para enfrentar a crise.

A carta foi enviada aos bispos dos Estados Unidos que se reuniram para um seminário em Chicago. Nela, Francisco afirma que a res­posta ao escândalo mostra a necessidade urgente de uma nova abordagem de gestão e mentalidade dentro da Igreja.

"O povo fiel de Deus e a missão da Igreja continuam sofrendo muito como resul­tado de abusos de poder, consciência e abuso sexual e da maneira como foram administrados", escreveu o Papa, acrescentando que os bispos "se concentraram mais em apontar dedos do que na busca por caminhos de reconciliação".


PEDOFILIA

Uma série de escândalos de abuso sexual infantil aba­lou a Igreja Católica, que tem 1,3 bilhão de seguidores em todo o mundo. Francisco tem lutado para resolver o pro­blema, conforme o escândalo corrói a autoridade da Igreja em meio a divisões agudas em Roma sobre como lidar com as consequências. Em dezembro, o Papa aceitou a renúncia do bispo auxiliar de Los Angeles, Alexander Sala­zar, devido a sua "má condu­ta" com um menor.

Em dezembro, a Procura­doria de Illinois revelou que 685 padres foram denuncia­dos por pedofilia no Estado, um número muito maior do que o fornecido pela Igreja Católica, em mais um escân­dalo envolvendo o clero.

Têm sido comum mani­festações públicas do Papa Francisco causando polêmi­ca, exatamente por causa da sua sinceridade. Na missa do ano novo, o Papa Francisco já tinha proposto uma reno­vação na igreja que, segundo ele, corre o risco de se tornar um lindo museu do passado, se os católicos perderem a fé.

Na última quarta-feira (2), na primeira audiência do ano, na sala Paolo VI, no Vaticano, inicialmente, ele falou aos pre­sentes sobre a fé cristã. Disse que é melhor ser ateu do que um cristão hipócrita. E aconse­lhou a todos o "revolucionário" evangelho.

Pelo jeito, o Papa Francisco resolveu mesmo jo­gar duro para salvar a Igreja Católica do caminho lodoso que tem seguido, escondendo os próprios erros. Cardeais, bispos, arcebispos torcem os narizes, mas a verdade é que a repercussão tem sido muito positiva no mundo católico, com grande reconhecimento da franqueza e sinceridade de Francisco.


* Íntegra do editorial do Jornal da Manhã de Marília (SP), publicado na edição de domingo (6.jan.2019). Reprodução autorizada.

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