E AGORA, DANIELE?
ANÁLISE: Deputada estadual cotada como ‘prefeitável’ para 2028 vai ter que escolher entre disputar o governo de sua cidade natal ou legislar pelos eleitores das mais de 600 que a reelegeram com votação histórica. Confira cenários para as próximas eleições municipais

Reeleita no último domingo (4), a mariliense Dani Alonso (PL) ainda nem terminou o primeiro mandato como deputada estadual em 2026, iniciará o segundo em 2027 e já aparece cotada para voltar às urnas em 2028.
A hipótese de participação da parlamentar na próxima disputa municipal, na metade da nova legislatura na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), abre margem para um dilema político-eleitoral.
Afinal de contas: valeria mais a pena ser uma ‘prefeitável’ ou manter-se no cargo de deputada à espera da corrida à Prefeitura de Marília de 2032 sem a eventual concorrência com um Camarinha? E agora, Daniele?

Neste texto, o blog analisa dois cenários possíveis que apontam para caminhos diferentes que a deputada poderá escolher nas próximas eleições municipais, além de contextos políticos que poderão influenciar sua decisão eleitoral.
CENÁRIO 1: SER ‘PREFEITÁVEL’
Mal havia acabado de conhecer sua primeira reeleição, Dani Alonso virou ‘prefeitável’ tão logo chegou à festa promovida na noite de domingo (4) no prédio utilizado como comitê eleitoral, localizado a duas quadras do Paço Municipal.
O aceno à eventual e futura candidatura da deputada ao governo de Marília foi declarado em clima de pós-vitória pelo marido e deputado federal reeleito, Capitão Augusto (PL), que capitalizou politicamente a cena.

Caso confirme sua participação nas urnas de 2028, Dani Alonso repetirá o movimento político de troca de poderes feito por seu ex-colega de Alesp, atual prefeito de Marília e futuro concorrente, Vinicius Camarinha (PSDB).
Em 2024, à mão das pesquisas de intenção de votos, que indicavam sua viabilidade eleitoral, Vinicius anunciou sua pré-candidatura em março, foi eleito prefeito em outubro e renunciou ao cargo de deputado em dezembro.
Do mesmo modo, Dani Alonso também poderia continuar seu segundo mandato na Alesp enquanto estivesse como candidata à Prefeitura de Marília, desde que subsidiada pelo interesse prévio do eleitor por seu nome nas urnas.
CENÁRIO 2: CONTINUAR DEPUTADA
Ainda que tenha sido alçada precocemente como uma concorrente a Vinicius, que deverá buscar sua reeleição, Dani Alonso pode continuar a exercer seu segundo mandato na Alesp, que ainda assumirá em 1º de fevereiro de 2027.
Desta vez, a deputada estará sozinha na representatividade de Marília no parlamento paulista quatro anos depois da escolha do eleitorado por dois – Vinicius abriu mão de metade de seu quinto mandato de deputado para voltar a ser prefeito.
A cidade-natal está longe de ser a única a que Dani Alonso terá o compromisso de atender pelos votos recebidos, seja por meio da indicação de emendas impositivas, voluntárias ou especiais (PIX).

Dani Alonso recebeu votos em 611 dos 645 municípios paulistas (94,73%), segundo levantamento do Blog do Rodrigo na plataforma de resultados das Eleições 2026, disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre eles, os 25 em que a deputada recebeu apenas 1 voto. O desempenho da deputada nas urnas, a maior de uma candidatura de Marília ao cargo, contou com votos em todas as regiões do Interior, da Grande São Paulo e do litoral.
As 34 cidades onde Dani Alonso não recebeu votos estão entre as menores do Estado de São Paulo, com populações que vão de 1.639 habitantes, em Dirce Reis, a 15.737, em Pedregulho, localizadas próximas às divisas com Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, respectivamente.

Dani Alonso teve seu maior desempenho em Marília, onde conseguiu 33.056 votos – 28,11% de sua votação. As demais cidades onde mais recebeu votos foram Bauru (8 mil), São Paulo (7.563), Assis (6.030), Ourinhos (5.317) e Garça (4.153).

CONTEXTOS POLÍTICOS
Há alguns fatores políticos que, levados em consideração, podem induzir Dani Alonso a tomar sua decisão entre se manter até o final do mandato como deputada ou lançar-se como candidata a prefeita em 2028.
De imediato, superadas as eleições, a deputada tem seu ofício parlamentar com que se preocupar, sobretudo no atendimento das demandas assumidas e daquelas que virão das cidades que confiam na representatividade de seu mandato.
Ou seja, trata-se de justificar a expectativa de retorno de votos em recursos e/ou melhorias para o dia a dia de ao menos parte daquelas localidades onde a propaganda eleitoral alcançou votos suficientes para a sua reeleição.
Uma fatia deste eleitorado, aliás, é espólio do último mandato de Vinicius que, interrompido pela metade, precisou ser atendido pela representatividade regional que ficou – a saber, a própria Dani Alonso – fartamente retribuída pelas urnas.

Na hipótese de uma vitória de Dani Alonso sobre Vinicius nas urnas de 2028, este mesmo eleitorado teria que recorrer a outro(a) deputado(a) eleito enquanto ambos os marilienses estarão sem mandato na Alesp em 2029 e 2030.
Caso Vinicius seja reeleito prefeito de Marília – com Dani Alonso no páreo, ou não – as eleições municipais de 2032 abrirão uma janela para qualquer candidato que não seja um Camarinha à Prefeitura de Marília – inclusive, a deputada.
Como exemplos, o pai e ex-prefeito e ex-deputado, Abelardo Camarinha (Podemos) ou a vereadora, Fabiana Camarinha (Podemos). A legislação vigente veda a sucessão de familiares de primeiro e segundo graus e afins – neste último caso, a madrasta.



Comentários