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E AGORA, DANIELE?

há 3 horas
4 min de leitura

ANÁLISE: Deputada estadual cotada como ‘prefeitável’ para 2028 vai ter que escolher entre disputar o governo de sua cidade natal ou legislar pelos eleitores das mais de 600 que a reelegeram com votação histórica. Confira cenários para as próximas eleições municipais


Deputada reeleita, Dani Alonso pode disputar a Prefeitura de Marília em 2028 | Foto: Rodrigo Costa/Alesp
Deputada reeleita, Dani Alonso pode disputar a Prefeitura de Marília em 2028 | Foto: Rodrigo Costa/Alesp

Reeleita no último domingo (4), a mariliense Dani Alonso (PL) ainda nem terminou o primeiro mandato como deputada estadual em 2026, iniciará o segundo em 2027 e já aparece cotada para voltar às urnas em 2028.

A hipótese de participação da parlamentar na próxima disputa municipal, na metade da nova legislatura na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), abre margem para um dilema político-eleitoral.

Afinal de contas: valeria mais a pena ser uma ‘prefeitável’ ou manter-se no cargo de deputada à espera da corrida à Prefeitura de Marília de 2032 sem a eventual concorrência com um Camarinha? E agora, Daniele?


Prefeitura de Marília já está no enfoque da disputa de poder entre grupos políticos rivais | Foto: Arquivo
Prefeitura de Marília já está no enfoque da disputa de poder entre grupos políticos rivais | Foto: Arquivo

Neste texto, o blog analisa dois cenários possíveis que apontam para caminhos diferentes que a deputada poderá escolher nas próximas eleições municipais, além de contextos políticos que poderão influenciar sua decisão eleitoral.

 

CENÁRIO 1: SER ‘PREFEITÁVEL’

Mal havia acabado de conhecer sua primeira reeleição, Dani Alonso virou ‘prefeitável’ tão logo chegou à festa promovida na noite de domingo (4) no prédio utilizado como comitê eleitoral, localizado a duas quadras do Paço Municipal.

O aceno à eventual e futura candidatura da deputada ao governo de Marília foi declarado em clima de pós-vitória pelo marido e deputado federal reeleito, Capitão Augusto (PL), que capitalizou politicamente a cena.


'Pré-campanha' de Dani Alonso à Prefeitura de Marília foi 'lançada' por Capitão Augusto no domingo (4)
'Pré-campanha' de Dani Alonso à Prefeitura de Marília foi 'lançada' por Capitão Augusto no domingo (4)
Caso confirme sua participação nas urnas de 2028, Dani Alonso repetirá o movimento político de troca de poderes feito por seu ex-colega de Alesp, atual prefeito de Marília e futuro concorrente, Vinicius Camarinha (PSDB).

Em 2024, à mão das pesquisas de intenção de votos, que indicavam sua viabilidade eleitoral, Vinicius anunciou sua pré-candidatura em março, foi eleito prefeito em outubro e renunciou ao cargo de deputado em dezembro.



Do mesmo modo, Dani Alonso também poderia continuar seu segundo mandato na Alesp enquanto estivesse como candidata à Prefeitura de Marília, desde que subsidiada pelo interesse prévio do eleitor por seu nome nas urnas.

 

CENÁRIO 2: CONTINUAR DEPUTADA

Ainda que tenha sido alçada precocemente como uma concorrente a Vinicius, que deverá buscar sua reeleição, Dani Alonso pode continuar a exercer seu segundo mandato na Alesp, que ainda assumirá em 1º de fevereiro de 2027.

Desta vez, a deputada estará sozinha na representatividade de Marília no parlamento paulista quatro anos depois da escolha do eleitorado por dois – Vinicius abriu mão de metade de seu quinto mandato de deputado para voltar a ser prefeito.

A cidade-natal está longe de ser a única a que Dani Alonso terá o compromisso de atender pelos votos recebidos, seja por meio da indicação de emendas impositivas, voluntárias ou especiais (PIX).



Dani Alonso recebeu votos em 611 dos 645 municípios paulistas (94,73%), segundo levantamento do Blog do Rodrigo na plataforma de resultados das Eleições 2026, disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre eles, os 25 em que a deputada recebeu apenas 1 voto. O desempenho da deputada nas urnas, a maior de uma candidatura de Marília ao cargo, contou com votos em todas as regiões do Interior, da Grande São Paulo e do litoral.

As 34 cidades onde Dani Alonso não recebeu votos estão entre as menores do Estado de São Paulo, com populações que vão de 1.639 habitantes, em Dirce Reis, a 15.737, em Pedregulho, localizadas próximas às divisas com Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, respectivamente.



Dani Alonso teve seu maior desempenho em Marília, onde conseguiu 33.056 votos – 28,11% de sua votação. As demais cidades onde mais recebeu votos foram Bauru (8 mil), São Paulo (7.563), Assis (6.030), Ourinhos (5.317) e Garça (4.153).


 

CONTEXTOS POLÍTICOS

Há alguns fatores políticos que, levados em consideração, podem induzir Dani Alonso a tomar sua decisão entre se manter até o final do mandato como deputada ou lançar-se como candidata a prefeita em 2028.

De imediato, superadas as eleições, a deputada tem seu ofício parlamentar com que se preocupar, sobretudo no atendimento das demandas assumidas e daquelas que virão das cidades que confiam na representatividade de seu mandato.

Ou seja, trata-se de justificar a expectativa de retorno de votos em recursos e/ou melhorias para o dia a dia de ao menos parte daquelas localidades onde a propaganda eleitoral alcançou votos suficientes para a sua reeleição.  

Uma fatia deste eleitorado, aliás, é espólio do último mandato de Vinicius que, interrompido pela metade, precisou ser atendido pela representatividade regional que ficou – a saber, a própria Dani Alonso – fartamente retribuída pelas urnas.


Dani Alonso e Vinicius Camarinha podem polarizar disputa de famílias que dominam política em Marília
Dani Alonso e Vinicius Camarinha podem polarizar disputa de famílias que dominam política em Marília

Na hipótese de uma vitória de Dani Alonso sobre Vinicius nas urnas de 2028, este mesmo eleitorado teria que recorrer a outro(a) deputado(a) eleito enquanto ambos os marilienses estarão sem mandato na Alesp em 2029 e 2030.

Caso Vinicius seja reeleito prefeito de Marília – com Dani Alonso no páreo, ou não – as eleições municipais de 2032 abrirão uma janela para qualquer candidato que não seja um Camarinha à Prefeitura de Marília – inclusive, a deputada.

Como exemplos, o pai e ex-prefeito e ex-deputado, Abelardo Camarinha (Podemos) ou a vereadora, Fabiana Camarinha (Podemos). A legislação vigente veda a sucessão de familiares de primeiro e segundo graus e afins – neste último caso, a madrasta.



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