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MARIA E O DIABO DA POLÍTICA

há 4 minutos
4 min de leitura

Maioria católica celebra padroeira escolhida sem urnas, nem fake news. Maria é a patrona de uma a cada três paróquias da diocese. O veneno do ódio religioso inoculado entre eleitores, gêneros e raças nas eleições em Marília


No lugar de culto: Nossa Senhora foi arrastada na segunda pela devoção e não pelo oportunismo eleitoral
No lugar de culto: Nossa Senhora foi arrastada na segunda pela devoção e não pelo oportunismo eleitoral

Devotos católicos de Nossa Senhora Aparecida celebraram o dia da padroeira do Brasil durante o feriado dedicado à santa, nesta segunda-feira (12), com missas e carreatas nas igrejas e vias públicas de Marília.

Conforme reza a tradição, a imagem da santa foi exposta e venerada pelos fiéis em momentos de fé dedicados ao culto religioso, apesar da serpente do discurso político-eleitoral que anda pegando no pé de Maria.

Neste post, o blog relata como foi a devoção mariana na cidade onde as Marias e as mulheres são maioria, a preferência pelo patronato feminino na diocese e por que diabos a santa foi conduzida a estranhos altares do debate eleitoral.


 

CELEBRAÇÕES FESTIVAS

Em Marília, onde oito das 20 paróquias têm Maria como patrona, todas as comunidades celebraram a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Além das missas, houve carreatas nas ruas próximas às comunidades.


Paróquias de Marília promoveram tradicional carreata com a imagem de Nossa Senhora por ruas próximas
Paróquias de Marília promoveram tradicional carreata com a imagem de Nossa Senhora por ruas próximas
Os devotos marianos também participaram do primeiro Padroeira Fest realizado no Marília Country Club. O evento foi organizado pelo apresentador do programa Fala Cidade, Amarildo de Oliveira, com apoio da Prefeitura de Marília, do clube-sede e parceiros comerciais.

Fiéis católicos participaram do Padroeira Fest promovido no Marília Country Club | Foto: Rodrigo Viudes
Fiéis católicos participaram do Padroeira Fest promovido no Marília Country Club | Foto: Rodrigo Viudes

Na Catedral Basílica Menor São Bento – a primeira paróquia criada em Marília, em 1929, ano de emancipação da cidade – o bispo diocesano, dom Luiz Antonio Cipolini, celebrou a missa do 74º ano de instalação da Diocese de Marília.

“Não é coincidência. É Nossa Senhora dizendo: ‘Diocese de Marília, caminha com meu filho, com os irmãos e irmãs em sinodalidade”, afirmou o bispo na homilia, referindo-se ao período de escuta aos fiéis que acontece até 2027.

 

MAIORIA FEMININA

A diocese instalada na data da principal figura feminina da Igreja Católica tem 29 de suas 66 paróquias (43,9%) dedicadas à mãe de Jesus Cristo. É o caso da última, São João Bosco e Nossa Senhora Auxiliadora, instalada em Marília em 31 de janeiro deste ano.


Fiéis da Paróquia São João Bosco e Nossa Senhora Auxiliadora, última inaugurada com Maria como patrona
Fiéis da Paróquia São João Bosco e Nossa Senhora Auxiliadora, última inaugurada com Maria como patrona
Além de nove paróquias que levam o nome de Nossa Senhora Aparecida, os devotos rezam em comunidades com diferentes títulos marianos. O mais comum é de Nossa Senhora de Fátima, em quatro comunidades – duas delas em Marília.

Com a soma das demais paróquias onde há uma padroeira – sete santas –, a representatividade feminina na diocese sobe para 38 igrejas (57,6%). São José, pai adotivo de Jesus Cristo, é o patrono em mais quatro igrejas: apenas quatro.


AS MARIAS DE MARÍLIA

Denominada com nome de mulher, Marília contava com maioria feminina em sua população, segundo os dados atualizados do Censo 2022 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos atuais 253.888 habitantes, 132.129 (52%) são mulheres e 121.759, homens (48%). Pelo menos 11.537 são chamadas em Marília pelo nome de Maria, o mais comum, cuja idade média é de 58 anos, segundo a estatística oficial.

Foto: Censo 2022 | IBGE
Foto: Censo 2022 | IBGE

Depois da mãe de Cristo, o segundo nome mais recorrente na cidade também é feminino e faz referência à sua avó, segundo a tradição católica: Ana (4.937 pessoas). O próximo e primeiro masculino também é da Sagrada Família: José (4.810).


Fonte: Censo 2022 | IBGE
Fonte: Censo 2022 | IBGE
O DIABO DA POLÍTICA

Sem nenhum nome para chamar de seu nos registros oficiais – pelo menos, em Marília – aquele que tenta contra Nossa Senhora Aparecida, segundo a tradição católica, reapareceu no primeiro turno da disputa eleitoral.

O espírito da divisão arrastou a Mãe de Cristo para a arena do confronto ideológico da disputa pela Presidência da República após a declaração de uma mulher e jornalista sobre a lei da padroeira, negada pela própria GloboNews.

Assista abaixo:



Maioria no eleitorado em Marília, com 93.071 votos ante 79.499 dos homens, as mulheres, devotas ou não de Nossa Senhora Aparecida, podem influenciar no resultado das eleições, ainda que sejam levadas a acreditar no contrário.

 

VÍBORAS

Inclusive por mulheres, tais como cobras disfarçadas de cordeiros no pastoreio de ovelhas ensurdecidas pelo barulho estridente da alienação político-religiosa e, portanto, presas fáceis para votos encabrestados, dízimos fartos e obediência cega.

Estas víboras em nada se assemelham a Maria – de quem, inclusive, disputam a veneração nos púlpitos e altares – impregnando a mensagem do amor de Cristo com a diabólica inoculação do veneno do ódio entre eleitores, gêneros e raças.

Tais lideranças religiosas, que deveriam alçar a política à “mais alta forma de caridade”, conforme declarou o Papa Pio XI (1857-1939), por meio da troca e prática de ideias, servem à própria figura do diabo, porque subservientes aos homens e não à cruz.


 

SEM CONCORRÊNCIA

Sem a participação de mulheres na disputa da Presidência da República no segundo turno das eleições gerais de 2026, os 172.570 eleitores aptos a votar em Marília retornarão às urnas no dia 25 de outubro.

Até lá, Nossa Senhora Aparecida talvez já esteja substituída por novas trends fabricadas por ambos os lados da moeda eleitoral, igualmente suscetíveis ao apelo da religiosidade popular, para induzir o eleitor mais incauto à decisão do voto.

Maria, por sua vez, já foi escolhida. Tem mandato perpétuo de mãe de Jesus Cristo, de quem é a maior ‘puxadora de devotos’ de que se tem notícia na História. Uma mulher que pisa na serpente é perigosa demais para os misóginos que se dizem eleitos.



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