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  • Rodrigo Viudes

francisco responde

Atualizado: 27 de Jan de 2019

Vaticano agradece apoio da Diocese de Marília ao papa, que prepara ofensiva mundial de combate aos abusos sexuais praticados por clérigos como resposta a pedido de renúncia de arcebispo italiano



Papa Francisco vive a fase mais difícil de seu pontificado, iniciado em 2013

A Diocese de Marília recebeu na primeira quinzena de janeiro uma correspondência enviada pela Secretaria de Estado do Vaticano em agradecimento à Carta Aberta de apoio ao papa Francisco remetida pela Cúria em virtude das "recentes calúnias levantadas contra o Sucessor de Pedro a propósito de crimes e pecados cometidos por alguns clérigos”.

A Carta Aberta havia sido assinada pelo bispo de Marília, dom Luiz Antonio Cipolini; pelo emérito, dom Osvaldo Giuntini, por demais membros do clero, religiosos e mais de mil representantes de pastorais presentes na 42ª edição da Assembleia Diocesana realizada em Osvaldo Cruz (SP) no dia 23 de setembro de 2018, segundo divulgou a Cúria (leia aqui). Confira cópia da Carta Aberta abaixo:



O agradecimento do Vaticano pelo apoio ao papa foi assinado por dom Edgar Peña, substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, em carta datada de 11 de dezembro de 2018. Segundo relatou, "o papa retribui (o apoio) invocando para todos os fieis da Diocese de Marília, a abundância dos dons do Céu que os fortaleçam na comunhão eclesial com o Povo de Deus e seus legítimos Pastores, pois é necessário que cada batizado se sinta envolvido na transformação eclesial e social de que tanto necessitamos". Confira cópia da carta abaixo:




A iniciativa de apoio da Diocese de Marília foi apenas uma entre as muitas manifestações de outras dioceses, arquidioceses e representações episcopais espalhadas por todo o planeta em defesa do papa Francisco, que enfrenta a fase mais difícil de seu pontificado, iniciado em 2013.


PEDIDO DE RENÚNCIA

Quando agradece a Cúria de Marília pelo apoio "face às recentes calúnias levantadas contra o Sucessor de Pedro a propósito de crimes e pecados cometidos por alguns clérigos” a Secretaria de Estado do Vaticano se refere, particularmente, às denúncias direcionadas ao papa em cartas redigidas e publicadas pelo arcebispo italiano Carlo Maria Viganò no segundo semestre de 2018.

Já na primeira, de 25 de agosto, a mais longa, escrita em onze páginas, Viganò recomendou a Francisco que renunciasse ao papado por não ter tomado providências contra o ex-cardeal Theodore McCarrick, "um predador sexual em série" que "corrompeu gerações de seminaristas e padres", segundo o arcebispo, que diz ter tratado pessoalmente sobre o assunto com o papa. "E, mesmo sabendo que ele era um homem corrupto, o acobertou até o amargo fim”, afirmou Viganò.

Pouco mais de um mês antes, o papa já havia aceitado a renúncia de McCarrick e ordenado que ele ficasse recluso em uma vida de penitências e orações. Publicamente, Francisco deu apenas uma declaração sobre o assunto no voo de Dublin a Roma, no dia seguinte à publicação da primeira carte de Viganò: "Eu não direi uma palavra sobre isto, eu penso que a carta fala por si. É um ato de confiança em você (jornalista que o questionou). Vocês têm a habilidade jornalística para tirar as conclusões. Eu gostaria que a vossa maturidade profissional fizesse esse trabalho".


O arcebispo italiano Carlo Maria Viganò: denúncias contra Francisco por suposta proteção a ex-cardeal acusado de assédio sexual

CONVOCAÇÃO MUNDIAL

Em vez de opinar como Jorge Bergoglio, Francisco preferiu manifestar-se como papa: no início de setembro, ele convocou bispos de todo o planeta para uma reunião extraordinária, a ser realizada entre os dias 21 a 24 de fevereiro deste ano, no Vaticano. O assunto exclusivo: a proteção dos menores da igreja.

“Trata-se de manter as crianças seguras contra prejuízo em todo o mundo. O papa Francisco quer que os líderes da Igreja tenham uma compreensão completa do impacto devastador que o abuso sexual clerical tem sobre as vítimas”, afirmou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke.

O comitê organizador nomeado pelo papa, em novembro de 2018, é formado por membros do alto clero, escolhidos a dedo por Francisco. Participarão do encontro lideranças de diversas organizações católicas, presidentes de conferências episcopais e leigos especialmente convocados para a preparação de todos os trabalhos para os quatro dias do encontro.


O presidente da CNBB, dom Sergio Rocha, representará o Brasil na reunião extraordinária dos bispos

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