REMÉDIO ACADÊMICO
- Rodrigo Viudes
- há 3 minutos
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Curso de Medicina da Unimar recebe aplicação de medidas cautelares do MEC após ser diagnosticado com nota baixa em exame nacional. Instituição confirma pedido de ‘contraprova’ e ‘imunidade’ de efeitos colaterais de decisão para alunos de 2026

O Ministério da Educação (MEC) publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (17) portarias com remédios amargos para cursos de Medicina diagnosticados com nota baixa no Exame Nacional de Avaliação de Formação Médica (Enamed).
Entre os 33 que apresentaram sintomas compatíveis com nota 2 – desempenho insatisfatório, segundo anamnese do MEC – está o da Universidade de Marília (Unimar), que deverá ser submetido à aplicação de medidas cautelares.
Os efeitos colaterais previstos são as suspensões de celebração de contratos de Financiamento Estudantil (Fies) e de participação em outros programas federais de acesso ao ensino e de abertura de novas matrículas, com redução de 25% das autorizadas.

No caso da Medicina da Unimar, a última sanção, se efetivamente aplicada, pode resultar na extração de 37 das atuais 150 vagas, segundo portaria do MEC que renovou o reconhecimento da formação, publicada em agosto de 2025.
CONTRAPROVA
Na mesma portaria em que receitou suas medidas, o MEC também concedeu às instituições a oportunidade de apresentação de pedido de ‘contraprova’, com possibilidade de que sejam “revogadas, prorrogadas ou agravadas”.
A Unimar informou ao blog nesta quarta-feira (18) que já “aguarda resposta de recursos em andamento no Ministério da Educação”, além do sugerido pela portaria. Medida que "será devidamente adotada”.
Ainda no início da nota “à comunidade acadêmica” – ainda não disponível nas redes sociais, ao menos até esta publicação –, a Unimar diz que as medidas do MEC “não afetam os alunos ingressantes no ano de 2026”.

Pelo menos enquanto os veteranos do último ano, avaliados pelo Enamed, não reverterem o ‘diagnóstico ruim’ do curso. O Conselho Federal de Medicina (CFM) já estuda não conceder registro profissional aos médicos formados com notas 1 ou 2.
INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA
Nascido em 1996, o curso de Medicina da Unimar chegou aos 30 anos e está dentro da idade média da formação no país, rejuvenescida pela explosão de natalidade de concorrência privada – mais de 200 autorizados – entre 2010 e 2023.

Naquele ano, a Unimar iniciou a construção do Hospital Beneficente Unimar (HBU) que, inaugurado em 2000, passou a ser frequentado pelos alunos de Medicina e demais formações em Saúde oferecidas pela instituição.
Apesar da infraestrutura implantada ao longo dos anos – laboratórios, recursos tecnológicos e estágios – a avaliação do conhecimento dos alunos ainda é o que mais pesa no cálculo de avaliação dos cursos, segundo critérios do MEC.
No caso da Unimar, o histórico de notas do Conceito Preliminar de Curso (CPC) da Medicina, que soma as avaliações de infraestrutura, corpo docente e do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), esteve à frente daquela exclusiva de aferição dos conhecimentos dos alunos em quase todas as aferições oficiais.

O CPC da Medicina partiu da nota 2 – “abaixo do esperado” – em 2007 e chegou até a 4 – “acima da média” – em 2019. A atual, de 2023, é a 3 – “regular”. No Enade, o curso saiu da nota 1 – “insatisfatória”, em 2007, chegou à 3, em 2010 e 2019 e atualmente tem nota 2 – “desempenho fraco”.
Por esses critérios técnicos, considerando as melhores avaliações de CPC e Enade, o curso de Medicina da Unimar nunca obteve nota máxima, em que pese a propaganda oficial da instituição, apoiada em avaliações oficiais de infraestrutura.


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