ESPELHO ELEITORAL
ANÁLISE: Eleitorado mariliense reflete preferência das urnas paulistas para manter ou derrotar governadores em campanha por reeleição desde 1998. Deputado ou prefeito, Vinicius apoiou todos que quiseram permanecer no Palácio dos Bandeirantes. Apenas candidatos em mandato acompanham Tarcísio em Marília

Em campanha pela reeleição ao governo do estado de São Paulo, o carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos) passou por Marília na tarde desta quinta-feira (24). Foi sua quinta visita à cidade desde que assumiu o cargo, em 2023.
Pesquisa Datafolha publicada no começo da noite apontava a dez dias das eleições de 4 de outubro, que Tarcísio já teria a intenção de voto de mais da metade dos eleitores e poderia vencer Fernando Haddad (PT) no primeiro turno.
A confirmação depende da confirmação do eleitorado paulista, cuja escolha entre manter ou substituir um governador do cargo tem sido ‘espelhada’ pelo mariliense em todas as candidaturas desde 1998.

VIRADA DE COVAS
Naquele ano, o então governador Mário Covas (PSDB) foi o primeiro a buscar sua reeleição no cargo após a aprovação da Emenda Constitucional 16, promulgada em 1997, e com uso inédito de urnas eletrônicas nas eleições gerais.
No primeiro turno, o mariliense preferiu Paulo Maluf (PPB), a exemplo da vontade majoritária do estado. No segundo turno, Covas conseguiria a virada – inclusive, por aqui – com 55% dos votos em Marília e no resultado final.

Recebido pelo então prefeito Abelardo Camarinha (PMDB, atual MDB), Covas fez carreata pelas ruas de Marília em 19 de setembro de 1998. No caminho, deparou-se com protestos de professores por melhores salários. “Sou bem recebido em todo lugar”, ironizou Covas ao jornal Diário.
HEGEMONIA TUCANA
O primeiro governador reeleito pelo voto popular em São Paulo não concluiria o novo mandato. Ele morreria em 6 de março de 2001, aos 70 anos, vítima de um câncer na bexiga. O vice-governador, Geraldo Alckmin (PSDB) assumiria o cargo.
Em 2002, o tucano buscaria sua primeira reeleição, e venceria José Genoíno (PT), no primeiro e segundo turnos, inclusive nas urnas de Marília. Em 2014, repetiria o feito, em apenas um turno, contra Paulo Skaf (PMDB).
Em sua quinta visita à cidade naquele ano – e a primeira, em campanha – o governador acompanhou as obras de recapeamento das rodovias SP-333 e SP-294, ainda não concedidas à época à administração privada.

(PARÊNTESES: A PROMESSA DO AME)
Em abril daquele ano, Alckmin anunciou a instalação de um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), que deveria começar a atender “nos próximos meses”, em local que seria alugado pelo Estado.

Reeleito, o tucano deixaria o mandato, em abril de 2018, para concorrer à Presidência da República e engavetaria a obra. O vice Márcio França (PSB), assumiria o cargo e se lançaria na disputa eleitoral meses depois.
Em visita de campanha em Marília, em 10 de setembro de 2018, França anunciou a instalação do AME Mais no prédio da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) “com 24 médicos especialistas e capacidade para 500 procedimentos cirúrgicos por mês”. Mas, a ideia permaneceu no papel.

Quatro anos mais tarde, o AME voltaria a figurar como promessa de campanha. Tarcísio também o incluiu entre as suas na corrida ao Palácio dos Bandeirantes. “Nós vamos honrar”, disse o candidato, em Marília, em 10 de setembro de 2022.
Eleito governador, ele cumpriu. Em construção desde março de 2026 em área doada pelo município no Distrito de Lácio, o AME Marília tem prazo de entrega para março de 2028, às vésperas da campanha das eleições municipais.

REELEIÇÕES BARRADAS
Márcio França assumiu o governo paulista em abril de 2018, na reta final do quarto mandato de Alckmin, atual vice-presidente da República. Candidato à reeleição, enfrentou João Doria (PSDB), que havia acabado de deixar a Prefeitura de São Paulo, para a qual havia sido eleito menos de dois anos antes.
Em campanha na cidade, em 8 de setembro daquele ano, França atendeu a imprensa em prédio alugado em frente à Casa Sol, loja de materiais de construção do então prefeito Daniel Alonso (PSDB), que apoiava Doria.
A promessa da instalação do AME e até a do helicóptero água da Polícia Militar não convenceram o eleitorado mariliense que, a exemplo do paulista, preferiu Doria a Márcio, que apenas concluiria um ‘mandato tampão’ de nove meses.
Eleito governador, Doria interromperia o mandato, em 1º de abril de 2022, para concorrer à Presidência da República – o que não ocorreria. O vice Rodrigo Garcia (PSDB), assumiu o cargo e se colocou como candidato.
Em visita de campanha à cidade, em 30 de agosto, Rodrigo perambulou pelo centro comercial, posou para fotos e acompanhou o início da demolição do prédio onde seria erguida a obra anunciada do Hospital da Criança e da Mulher.
A simpatia e o novo equipamento de saúde não foram suficientes para atrair votos do eleitor mariliense – e, de quebra, o paulista –, que impuseram ao recém-empossado a inédita eliminação de um governador paulista da disputa do cargo ainda no primeiro turno.
VINICIUS DE ‘TIRACOLO’
Ainda naquela visita, Rodrigo participou do lançamento da campanha de Vinicius à reeleição como deputado estadual. O mariliense, atual prefeito, havia sido mantido por Rodrigo como líder do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
A posição de liderança no Legislativo já era ocupada por Vinicius desde a nomeação por Doria, em março de 2021. A proximidade política induziria a troca de legenda do então deputado do PSB para o PSDB após 21 anos.

Ainda na antiga legenda, pela qual começou sua carreira política em 2002, eleito deputado estadual aos 22 anos de idade, Vinicius foi nomeado por Márcio França, em 2018, como secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Por isso o apoio ao correligionário nas eleições de 2018. Derrotado França nas urnas, Vinicius passou a apoiar Dória. Em 2022, a estratégia se repetiu: derrotado Rodrigo, Vinicius manteve-se governista. Aderiu a Tarcísio.
Durante as gestões de Alckmin em que esteve no mandato como deputado estadual, Vinicius posicionou-se na base de apoio. Em contrapartida, reivindicou recursos para Marília enquanto era prefeito pela primeira vez, entre 2013 e 2016.
PAPAGAIOS EXCLUSIVOS
De volta ao Executivo da cidade após interromper seu quinto mandato como deputado estadual em 2024, Vinicius não foi a única autoridade pública que permaneceu na companhia de Tarcísio na visita desta quinta-feira (24).
O prefeito teve a disputa acirrada de espaço ao lado do governador com a presença da deputada e candidata à reeleição, Dani Alonso (PL), agora única representante da cidade na Alesp, e de seu marido, deputado federal e também concorrente ao cargo, Capitão Augusto (PL).

No entorno orbitaram ainda outros candidatos, como o presidente da Alesp, André do Prado (PL) e do vice-prefeito de Marília, Rogério Alexandre da Graça, o Rogerinho (PP), que disputa uma cadeira no legislativo paulista.
Ou seja, todos aqueles que já estão no exercício de seus mandatos – sejam como prefeito, considerando a presença de alguns colegas de Vinicius, ou deputados estaduais, e ainda os postulantes ao cargo.
No mais, enquanto esteve em Marília, Tarcísio não teve a proximidade de nenhum outro candidato de Marília com quem esteja alinhado ideologicamente. Filiado ao Republicanos, Juliano da Campestre cumpriu agenda de campanha para deputado federal na região.




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