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  • Rodrigo Viudes

IGREJA EM CHAMAS!

Focos de escândalos espalham-se em noticiário quente das principais revistas semanais do país. Labaredas já alcançam clero da Diocese de Marília. Temperatura deve subir.


Clérigos acusados de integrar a 'Máfia da Batina', segundo matéria desta semana da 'Isto É' | Crédito: Isto É

A floresta amazônica arde em chamas no noticiário internacional. Enquanto a ação devastadora do fogo transforma a principal referência do paraíso na Terra em um verdadeiro inferno, focos de escândalos da Igreja Católica multiplicam-se rapidamente e aquecem as manchetes das principais revistas semanais do país.

Em 17 de julho, quando as queimadas no norte do Brasil ainda não haviam atraído tanta atenção da imprensa, a edição 2.643 de Veja chamuscou a imagem da Igreja Católica com relatos de jovens que denunciaram sacerdotes do interior paulista por abusos sexuais à Justiça.

Um dos principais acusados, o padre Pedro Leandro Ricardo, que nega tudo, estampou a capa da revista, cuja manchete é digna para se queimar qualquer reputação religiosa: 'Livrai-nos do Mal'. A reportagem relata, em detalhes, os depoimentos das testemunhas que resolveram mostrar o rosto - ou, pelo menos, suas versões nos escândalos.

Pedro Leandro Ricardo foi afastado em janeiro deste ano pelo então bispo de Limeira, dom Vilson Dias de Oliveira que, também acusado de vários crimes - extorsão, enriquecimento ilícito e por acobertar casos de abuso sexual - , renunciou em maio (confira análise sobre esta renúncia aqui).


Capa de 'Veja' de 17 de julho deste ano: testemunham chamuscam imagem de clérigos acusados de abusos sexuais

'MÁFIA DE BATINA'

O nome do agora bispo emérito de Limeira voltou a ficar em evidência em matéria exclusiva publicada na edição desta semana de Isto É. Dom Vilson seria um dos integrantes da 'Máfia de Batina' que, segundo investigou a revista, inclui ainda empresários e políticos em um esquema de lavagem de dinheiro em paróquias.

Os outros clérigos envolvidos, ainda de acordo com a revista, seriam o bispo de Piracicaba (SP), dom Ferdinando Mason e o vigário-geral da Diocese de Limeira (SP), Júlio Barbado. O esquema teria a participação do ex-vereador de Americana (SP), Alexandre Romano, o 'Chambinho' (ex-PT). Os bispos não se manifestaram. 'Chambinho' é investigado.

Juntos, bispos, vigário, empresários e outros teriam torrado cerca de R$ 12,5 milhões. Apelidado de 'Bórgia Caipira', em alusão à série 'Os Bórgias', que retrata a vida de luxúria do papa Alexandre VI (1492-1503), o bispo de Piracicaba construiu recentemente uma nova casa episcopal avaliada em R$ 3 milhões. A 'queima' de tanto dinheiro irritou padres e leigos.

Capa desta semana de 'Isto É': denúncia de 'Máfia da Batina' envolvendo bispos, empresários e ex-vereador do PT

NOSSAS LABAREDAS

A exemplo do avanço da fumaça amazônica, que já alcançou o sudeste do país, os focos de escândalos da Igreja Católica alastram-se para toda parte. Inclusive, na Diocese de Marília. O último incêndio ocorrido por aqui - pelo menos, publicamente - foi a prisão, em julho, do recém-ordenado padre Denismar Rodrigo André, sob acusação de armazenamento de pornografia infantil. Ele foi afastado e responde à Justiça em liberdade.

O caso de Denismar, no entanto, pode ser apenas uma 'fagulha' de outros escândalos, cujas chamas ainda podem gerar muita fuligem à imagem da diocese. Apenas um dos exemplos: este blog acompanha, há mais de um ano, os desdobramentos de uma denúncia de pedofilia contra um padre atualmente afastado. Processo foi aberto no Vaticano e já aguarda decisão.

O clima promete esquentar, inclusive no noticiário, à medida que a Igreja venha condenar os seus próprios 'incendiários', já à luz da nova norma contra os abusos sexuais publicada pelo papa Francisco, em vigor desde junho. A esta altura da devastação da própria imagem, a Santa Sé precisa, o quanto antes, preservar a reputação moral que lhe restou.



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