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MARÍLIA QUE CUIDA

há 8 minutos
3 min de leitura

ANÁLISE: Governo Vinicius faz jus a slogan de campanha com força-tarefa preventiva para enfrentar tempestade. Mobilização testa capacidade do município para novos tempos de eventos climáticos. Indiferença de comerciantes e clientes a ‘decreto de recolher’ remete a comportamento da população nos dias de pandemia


Idoso cadeirante é levado para casa após recorrer a abrigo em escola | Foto: Prefeitura de Marília
Idoso cadeirante é levado para casa após recorrer a abrigo em escola | Foto: Prefeitura de Marília

Uma chuva moderada, com incidência de apenas 9 milímetros de precipitação de água, acompanhada por fortes rajadas de vento a 43 km/h, visitou Marília na madrugada deste sábado (12).

A instabilidade no clima, persistente nos últimos dias, nem passou perto da possibilidade de um tornado, conforme a Defesa Civil do Estado de São Paulo havia alertado a diversos municípios do interior. Entre eles, Marília.

Antes que outros ventos baixassem por aqui, a Prefeitura de Marília mobilizou uma força-tarefa que, na prática, fez jus ao slogan ‘Marília que Cuida’, mote da campanha do prefeito, Vinicius Camarinha (PSDB).

Menos de 24h após apontar a origem dos recursos públicos – inclusive, da Saúde – para contratações milionárias de artistas para o Mario Rodeo Music, o blog analisa a iniciativa preventiva e positiva do governo municipal em proteger sua população.

 

GABINETES DE CRISE

As primeiras informações sobre o risco de ocorrência de condições climáticas severas em Marília e demais cidades do interior foram comunicadas, ainda na quinta-feira (10), pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.



Ao final da mesma tarde, após reunião com secretariado, Vinicius anunciou a instalação de um gabinete de crise – algo que o Estado formalizaria apenas no começo da tarde de sexta-feira (12) – para definição de medidas de governo.

“Estamos agindo antecipadamente e preventivamente para estarmos preparados para esse evento climático extremo e salvar o máximo de vidas”, afirmou Vinicius que, àquela altura, trabalhava com o risco iminente de um tornado, segundo dados fornecidos pelo Estado.

 

Vinicius antecipou a formação de gabinete de crise pelo risco de tornado na cidade | Foto: Divulgação
Vinicius antecipou a formação de gabinete de crise pelo risco de tornado na cidade | Foto: Divulgação

ESTRUTURA ‘DE GUERRA’

Por meio de decreto, publicado na sexta-feira (12), Vinicius determinou que o expediente em repartições públicas fosse encerrado às 14h e das unidades de Saúde, às 16h. As aulas das redes particular e pública foram suspensas.

Dezesseis escolas municipais localizadas nas zonas norte, sul, oeste e central e nos distritos de Amadeu Amaral, Avencas e Rosália foram mantidas abertas como abrigos temporários para acolher famílias e animais em situação de vulnerabilidade.

Salas de aulas de Emefs foram improvisadas como dormitórios pare receber famílias | Foto: Divulgação
Salas de aulas de Emefs foram improvisadas como dormitórios pare receber famílias | Foto: Divulgação

As unidades receberam colchões, travesseiros, cobertores e alimentação cedidos pela Educação, enquanto a Saúde disponibilizou profissionais para apoio na acolhida. Uma estrutura semelhante à dos territórios em dias de guerra.

 

INDIFERENÇA PÚBLICA

No mesmo decreto, Vinicius recomendou que os estabelecimentos privados também encerrassem o expediente às 16h, com exceção dos “essenciais” – farmácias, hospitais, postos de combustíveis, supermercados e o transporte público.

O blog percorreu os principais corredores comerciais das áreas norte, sul e central da cidade entre as 20h e 21h. O fluxo esvaziado de veículos sinalizava uma cena urbana atípica para uma sexta-feira de sol em Marília.


Avenida João Ramalho, no bairro Nova Marília, na zona sul, ficou esvaziada nesta sexta-feira
Avenida João Ramalho, no bairro Nova Marília, na zona sul, ficou esvaziada nesta sexta-feira
Apesar do ‘toque de recolher’ recomendado por Vinicius, houve quem preferisse permanecer em bares e sorveterias. O cenário apocalíptico previsto pela meteorologia não impediu que uma igreja neopentecostal cancelasse seu culto.

A indiferença de parte da população às orientações de autopreservação remeteu ao comportamento arredio observado na pandemia de Covid-19, entre 2021 e 2022, quando as aglomerações ampliaram as infecções pelo vírus na cidade.

 

CHUVA PASSAGEIRA

Às 23h30 de sexta-feira, quando as primeiras nuvens já haviam encoberto um céu estrelado, os marilienses receberam pelo celular um aviso de ‘alerta severo’ disparado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Dizia o comunicado: “Atenção nas próximas horas. Condição para chuva forte, rajadas de vento intensas e condição para granizo. Mantenha-se em local seguro”. As águas, de fato, caíram, mas sem força, nem gelo.

Marilienses receberam 'alerta severo' pelo celular às 23h30 desta sexta-feira, mas chuva veio branda
Marilienses receberam 'alerta severo' pelo celular às 23h30 desta sexta-feira, mas chuva veio branda

Pela manhã, a Defesa Civil de Marília confirmou a ocorrência de duas quedas de árvore. Nos bairros Montana e Maracá, na zona norte, moradores relataram a perda do telhado de algumas casas devido à força do vento.

 

MODELO COM REPAROS

Após nova reunião do gabinete de crise neste sábado, a prefeitura informou ter atendido 78 famílias nas escolas municipais e mobilizado “mais de 200 servidores públicos municipais” em diferentes frentes de atuação.

“Graças a Deus não tivemos nenhum registro grave no nosso município e o resultado da ação preventiva foi bastante positivo”, afirmou Vinicius. “Agora nós podemos voltar à normalidade”, concluiu.

Em outro cenário, o prefeito poderia ter que decretar estado de emergência ou até de calamidade pública, caso os estragos provocados pelo temporal demandassem apoio externo para recuperar a cidade.



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