MARÍLIA QUE CUIDA
ANÁLISE: Governo Vinicius faz jus a slogan de campanha com força-tarefa preventiva para enfrentar tempestade. Mobilização testa capacidade do município para novos tempos de eventos climáticos. Indiferença de comerciantes e clientes a ‘decreto de recolher’ remete a comportamento da população nos dias de pandemia

Uma chuva moderada, com incidência de apenas 9 milímetros de precipitação de água, acompanhada por fortes rajadas de vento a 43 km/h, visitou Marília na madrugada deste sábado (12).
A instabilidade no clima, persistente nos últimos dias, nem passou perto da possibilidade de um tornado, conforme a Defesa Civil do Estado de São Paulo havia alertado a diversos municípios do interior. Entre eles, Marília.
Antes que outros ventos baixassem por aqui, a Prefeitura de Marília mobilizou uma força-tarefa que, na prática, fez jus ao slogan ‘Marília que Cuida’, mote da campanha do prefeito, Vinicius Camarinha (PSDB).
Menos de 24h após apontar a origem dos recursos públicos – inclusive, da Saúde – para contratações milionárias de artistas para o Mario Rodeo Music, o blog analisa a iniciativa preventiva e positiva do governo municipal em proteger sua população.
GABINETES DE CRISE
As primeiras informações sobre o risco de ocorrência de condições climáticas severas em Marília e demais cidades do interior foram comunicadas, ainda na quinta-feira (10), pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Ao final da mesma tarde, após reunião com secretariado, Vinicius anunciou a instalação de um gabinete de crise – algo que o Estado formalizaria apenas no começo da tarde de sexta-feira (12) – para definição de medidas de governo.
“Estamos agindo antecipadamente e preventivamente para estarmos preparados para esse evento climático extremo e salvar o máximo de vidas”, afirmou Vinicius que, àquela altura, trabalhava com o risco iminente de um tornado, segundo dados fornecidos pelo Estado.

ESTRUTURA ‘DE GUERRA’
Por meio de decreto, publicado na sexta-feira (12), Vinicius determinou que o expediente em repartições públicas fosse encerrado às 14h e das unidades de Saúde, às 16h. As aulas das redes particular e pública foram suspensas.
Dezesseis escolas municipais localizadas nas zonas norte, sul, oeste e central e nos distritos de Amadeu Amaral, Avencas e Rosália foram mantidas abertas como abrigos temporários para acolher famílias e animais em situação de vulnerabilidade.

As unidades receberam colchões, travesseiros, cobertores e alimentação cedidos pela Educação, enquanto a Saúde disponibilizou profissionais para apoio na acolhida. Uma estrutura semelhante à dos territórios em dias de guerra.
INDIFERENÇA PÚBLICA
No mesmo decreto, Vinicius recomendou que os estabelecimentos privados também encerrassem o expediente às 16h, com exceção dos “essenciais” – farmácias, hospitais, postos de combustíveis, supermercados e o transporte público.
O blog percorreu os principais corredores comerciais das áreas norte, sul e central da cidade entre as 20h e 21h. O fluxo esvaziado de veículos sinalizava uma cena urbana atípica para uma sexta-feira de sol em Marília.

Apesar do ‘toque de recolher’ recomendado por Vinicius, houve quem preferisse permanecer em bares e sorveterias. O cenário apocalíptico previsto pela meteorologia não impediu que uma igreja neopentecostal cancelasse seu culto.
A indiferença de parte da população às orientações de autopreservação remeteu ao comportamento arredio observado na pandemia de Covid-19, entre 2021 e 2022, quando as aglomerações ampliaram as infecções pelo vírus na cidade.
CHUVA PASSAGEIRA
Às 23h30 de sexta-feira, quando as primeiras nuvens já haviam encoberto um céu estrelado, os marilienses receberam pelo celular um aviso de ‘alerta severo’ disparado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.
Dizia o comunicado: “Atenção nas próximas horas. Condição para chuva forte, rajadas de vento intensas e condição para granizo. Mantenha-se em local seguro”. As águas, de fato, caíram, mas sem força, nem gelo.

Pela manhã, a Defesa Civil de Marília confirmou a ocorrência de duas quedas de árvore. Nos bairros Montana e Maracá, na zona norte, moradores relataram a perda do telhado de algumas casas devido à força do vento.
MODELO COM REPAROS
Após nova reunião do gabinete de crise neste sábado, a prefeitura informou ter atendido 78 famílias nas escolas municipais e mobilizado “mais de 200 servidores públicos municipais” em diferentes frentes de atuação.
“Graças a Deus não tivemos nenhum registro grave no nosso município e o resultado da ação preventiva foi bastante positivo”, afirmou Vinicius. “Agora nós podemos voltar à normalidade”, concluiu.
Em outro cenário, o prefeito poderia ter que decretar estado de emergência ou até de calamidade pública, caso os estragos provocados pelo temporal demandassem apoio externo para recuperar a cidade.




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