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O BISPO AMADO

Atualizado: 5 de jan.

O menino que cresceu no Belém, escolheu ser padre, ‘virou’ bispo a pedido de colega, enfrentou dilemas do clero, repreendeu Presidente da República, recusou ‘promoção’, sofreu na velhice e adormeceu no coração da Diocese de Marília. Uma breve história de Dom Osvaldo Giuntini


Dom Osvaldo Giuntini (1936-2025): terceiro bispo diocesano de Marília | Foto: Diocese de Marília
Dom Osvaldo Giuntini (1936-2025): terceiro bispo diocesano de Marília | Foto: Diocese de Marília

Pela última vez, no final da tarde de terça-feira (2), dom Osvaldo Giuntini percorreu, nos braços do clero, o corredor central de sua vida episcopal, rumo à cripta da Catedral São Bento Abade, no coração da Diocese de Marília.

Falecido aos 89 anos, despediu-se solenemente da única Igreja Particular em que serviu como bispo – o terceiro, de trajetória mais longeva na história da mitra local –, e a apenas uma semana de completar 62 anos de sacerdócio.

Por tanto tempo dedicado à Igreja Católica, entre virtudes e pecados, o último emérito de Marília recebeu, em manifestação derradeira, aplausos e lágrimas dignas da gratidão própria a um bispo que se foi amado.

Neste texto, você conhecerá o menino que escolheu ser padre, ‘virou’ bispo a pedido de colega, enfrentou dilemas do clero, repreendeu Presidente da República, recusou ‘promoção’ e sofreu silenciosamente no fim da vida.

Uma breve história de Dom Osvaldo Giuntinni.

 

BERÇO DA FÉ

São Paulo, 24 de outubro de 1936. A imigrante italiana Conceição acabara de fazer jus ao nome pela quarta vez. A família católica chefiada pelo operário Waldomiro recebia mais um bambino dos seis que seriam concebidos naquele lar.

Na cidade batizada com nome de apóstolo, e em dia de Santo Antonio Maria Claret, padroeiro dos evangelizadores, nascia um certo Osvaldo, cujo nome - ‘governante divino’, pela origem germânica – pareceu premeditar sua vocação religiosa.

O menino cresceu no bairro do Belém, mudou-se para Tremembé e levou uma vida comum para uma criança de sua época: jogou bola na rua, refrescou-se no Rio Tietê, ocupou-se com os estudos e frequentou a igreja, desde a tenra idade.



Ao final do curso primário, após breve experiência como coroinha, o pré-adolescente Osvaldo percebeu seu futuro na Igreja Católica. “Senti que Deus queria que me fizesse padre”, relatou, em entrevista de 2015. Aos 11, decidiu. “Fui porque eu quis mesmo”.

Osvaldo deixou pai, mãe e irmãos e embarcou na estação de trem que o levaria rumo ao Seminário Metropolitano Imaculado Coração de Maria - atual Propedêutico Santo Antônio -, em São Roque (SP), onde concluiu os estudos escolares.
Seminário Propedêutico de São Roque foi ponto de partida da vida presbiteral do pré-adolescente Osvaldo
Seminário Propedêutico de São Roque foi ponto de partida da vida presbiteral do pré-adolescente Osvaldo

De volta à capital, o jovem seminarista continuaria seus estudos no Seminário Central da Imaculada Conceição, no Ipiranga e na Faculdade de Teologia Nossa Senhora de Assunção. Lá, conheceria Achiles Paceli de Oliveira Pinheiro (1939-2025), a quem reencontraria em Marília, já um monsenhor, décadas depois.

“Da minha turma de 40 sobraram apenas eu e dom Antonio Gaspar (atual bispo emérito de Barretos). Todos os demais deixaram o seminário”, recordou Osvaldo. Aos 27 anos, ele próprio teria seu tempo de reflexão, fora da igreja. “Quis saber se minha vocação seria apenas uma ilusão de criança”, admitiu.

 

BREVE SACERDÓCIO

Não era. Naquele mesmo ano de 1963, em 8 de dezembro, em plena solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, o jovem realizou o sonho do menino que queria ser padre, pelas mãos de dom Antônio Maria Alves de Siqueira (1906-1993), então arcebispo coadjutor de São Paulo.

A caminhada presbiteral do padre Osvaldo Giuntini começaria na própria arquidiocese, na Paróquia do Divino Espírito Santo da Bela Vista, na Consolação, no centro da capital, como vigário do primeiro pároco da igreja de 1908, o cônego e historiador, Paulo Florêncio da Silveira Camargo (1886-1972).
O primeiro altar: Osvaldo Giuntini iniciou seu ministério na Paróquia do Divino Espirito Santo, na capital
O primeiro altar: Osvaldo Giuntini iniciou seu ministério na Paróquia do Divino Espirito Santo, na capital

Passados dois anos, o arcebispo enviaria Osvaldo para o interior. Primeiramente, para Salto (SP), na Paróquia São Benedito, onde teve sua primeira experiência como pároco pelo mesmo período e, depois, na Paróquia Nossa Senhora da Candelária, em Itu (SP).

Ambas as comunidades acabariam anexadas à Diocese de Jundiaí (SP), para onde o padre Osvaldo seria chamado, após sua criação, em 7 de novembro de 1966, a pedido do primeiro bispo, dom Gabriel Paulino Bueno Couto (1910-1982), hoje servo de Deus em processo de beatificação pela Igreja Católica.
Santa convivência: dom Osvaldo conviveu com o Servo de Deus, dom Gabriel Couto, bispo de Jundiaí (SP)
Santa convivência: dom Osvaldo conviveu com o Servo de Deus, dom Gabriel Couto, bispo de Jundiaí (SP)

O jovem padre permaneceria na terra da uva como pároco da Catedral Nossa Senhora do Desterro, alçado posteriormente às funções de chanceler do bispado e vigário geral da diocese – aquele sacerdote que, segundo o Código de Direito Canônico, auxilia o bispo em seu governo e até chefia a diocese, na ausência de seu titular.

 

JOVEM BISPO

Pelos serviços prestados à Igreja, Osvaldo receberia o título de monsenhor pelo Papa Paulo VI (1897-1978), em 1975. Além dos afazeres diocesanos, ele decidiu reciclar seus conhecimentos sobre Direito Matrimonial em Roma, na Itália. Viajou como padre, em 1981 e retornou, no ano seguinte, destinado a se tornar bispo.

E assim se fez, em 12 de setembro de 1982, pelas mãos de dom Roberto Pinarello Almeida (1927-2002), segundo bispo de Jundiaí. Osvaldo foi sagrado epíscopo, com posse imediata como auxiliar na Diocese de Marília.
De padre a bispo: dom Osvaldo é ordenado em Jundiaí dias antes de ser enviado à Diocese de Marília
De padre a bispo: dom Osvaldo é ordenado em Jundiaí dias antes de ser enviado à Diocese de Marília

A pressa atendeu pedido de dom Frei Daniel Tomasella (1923-2003), que havia assumido a Cúria havia apenas sete anos – em 1975 – e já começara a enfrentar problemas com sua saúde cuja fragilidade era conhecida na diocese.

Ainda assim, o capuchinho havia conseguido conter o avanço de uma mobilização clandestina de padres que exigiam a renúncia de seu antecessor e primeiro (arce)bispo de Marília, dom Hugo Bressane de Araújo (1898-1988).

A chegada de dom Osvaldo, dada sua experiência administrativa, contribuiria na reorganização financeira e patrimonial da Cúria pelo ‘bispo-frade’, que faria de ‘seu braço-direito’ bispo coadjutor, em 1987, preparando-o como sucessor.


Parceria episcopal: dom frei Daniel Tomasella e dom Osvaldo Giuntini atuaram juntos entre 1985 e 2003
Parceria episcopal: dom frei Daniel Tomasella e dom Osvaldo Giuntini atuaram juntos entre 1985 e 2003

OSVALDO NA CÚRIA

A passagem do báculo – o bastão utilizado pelos bispos – ocorreria antes do limite do tempo canônico de 75 anos. Dom Daniel antecipou a renúncia em seis anos – ainda por problemas de saúde –, em 9 de dezembro de 1992, na data de posse do terceiro bispo de Marília.

Dom Osvaldo assumiu uma diocese tal como ajudou a moldar, sob o espírito missionário da Conferência Episcopal de Santo Domingo, realizada no ano de sua posse. O evento motivou a expansão do evangelho pelos meios de comunicação social e a formação de padres e leigos.

De pronto, no entanto, o bispo tratou de aparar algumas arestas doutrinais, esgarçadas pela Renovação Carismática Católica (RCC), que acabara de chegar a Marília, silenciando alguns fanáticos e ordenando lideranças ao estudo teológico.


Dom Osvaldo Giuntini assumiu a Cúria em Marília após dez anos de 'preparação' como auxiliar e coadjutor
Dom Osvaldo Giuntini assumiu a Cúria em Marília após dez anos de 'preparação' como auxiliar e coadjutor

Entusiasta dos novos meios de comunicação católicos – e atencioso no trato com a imprensa, a quem atendia pessoalmente, sem cerimônias – dom Osvaldo atuou na expansão da Rede Vida de Televisão, ainda que tenha franqueado os custos da instalação da nova antena às paróquias.

Enquanto o padre Marcelo Rossi encenava suas ginásticas católicas em redes nacionais de TV, dom Osvaldo ocupou-se em preparar o caminho de entrada de novas vocações com a inauguração do Seminário Propedêutico, em 1996.

Naquele mesmo ano, o bispo diocesano paulistano receberia o título de cidadão mariliense concedido pela Câmara Municipal de Marília por iniciativa do médico e vereador, Pedro Teruel Romero (1925-2017).



De volta ao clero, a que definiu como uma das prioridades de seu bispado, dom Osvaldo lamentaria a “dor de cabeça” proporcionada por colegas de batina, enquanto esteve à frente da Diocese de Marília, entre 1992 e 2013.

Dos casos que chegaram ao seu gabinete, poucos se tornaram públicos. Em 2005, por exemplo, um padre que pastoreava a Matriz de Santo Antonio foi preso sob suposta acusação de abuso contra duas irmãs menores de idade.

Chefe da Igreja Católica em Marília, dom Osvaldo conviveu com autoridades – além daqueles que almejavam cargos públicos. Foi o caso do então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que seria eleito em 2002.


Bronca no futuro presidente: Dom Osvaldo repreendeu Lula por perguntá-lo sobre filiação ao PT
Bronca no futuro presidente: Dom Osvaldo repreendeu Lula por perguntá-lo sobre filiação ao PT

Naquele ano, em 17 de maio, dom Osvaldo recebeu Lula na Casa Episcopal. A certa altura da conversa, o candidato o inquiriu após sua negativa de filiação ao PT. “O senhor não veio aqui para isso e nem para me obrigar a pensar igual”, repreendeu o bispo.

Em 2007, dom Osvaldo festejaria o jubileu de prata de seu episcopado. Aos 71 anos, ele já visualizava sua aposentadoria compulsória que viria, aos 75 anos. Questionado à época se aceitaria uma eventual nomeação a cardeal, o bispo refutou na hora. “Deus me livre!”.

VIDA DE EMÉRITO

À medida que o terceiro bispado se aproximava do fim, dom Osvaldo manteve sua agenda ordinária de compromissos administrativos e sacramentais, mas a idade – e seu temperamento sereno – já lhe distanciavam de alguns embates internos.

Na prática, certas proeminências do clero à época acabaram por ocupar espaços de poder na Cúria em meio ao surgimento de um dossiê com denúncias de supostos desvios morais contra vários padres, que culminaria com ‘rebaixamentos’ em cargos eclesiásticos e até demissão clerical, já sob o bispado de dom Luiz Antonio Cipolini.

A chegada do novo bispo coincidiu com a despedida oficial de dom Osvaldo, com aceite do pedido formal de renúncia pelo papa Francisco (1936-2025): 8 de maio de 2013. Havia chegado o tempo de sua aposentadoria.


Passagem de báculo: dom Osvaldo encerrou bispado no dia da posse de dom Luiz Antonio Cipolini, em 2013
Passagem de báculo: dom Osvaldo encerrou bispado no dia da posse de dom Luiz Antonio Cipolini, em 2013

Ainda assim, menos de dois meses depois, lá estava o emérito entre milhões de jovens que participaram no Rio de Janeiro, na 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na primeira visita de Francisco ao Brasil.

Dom Osvaldo continuaria a marcar presença em reuniões episcopais – por mais alguns anos –, nas concelebrações na catedral, em festas litúrgicas, civis, em agenda pela diocese, mas principalmente em Marília.

Em junho de 2016, o bispo emérito celebrava mais uma missa no Santuário Nossa Senhora da Glória – vizinho ao prédio onde morava à época – quando teve um mal-estar. Alegou fraqueza, dores nas pernas. Socorrido, foi levado ao atendimento médico.



Reservadamente, o episódio não foi tratado como um caso isolado pela Cúria. À época, já se suspeitava de um declínio da saúde mental de dom Osvaldo, o que acabaria por demandar o apoio permanente de um cuidador.

A companhia zelosa que o emérito bispo tanto precisava ocorreria apenas a partir de 2017, após a assistência permanente confiada ao padre Geraldo Lelis de Andrade, superior da Congregação dos Oblatos de Cristo Sacerdote, cujo carisma é cuidar de padres e bispos “enfermos e anciãos”.

Essa convivência fraterna permitiria que Dom Osvaldo se mantivesse presente na vida social da igreja, inicialmente no atendimento de confissões e concelebrações e, mais adiante, apenas em visitas cada vez mais restritas.



Na pandemia, em 2022, foi infectado pelo coronavírus, apesar dos cuidados e da reclusão. Ficou oito dias internado. No último, celebrou uma missa em seu quarto. Dom Osvaldo tomou três doses da vacina e defendeu a imunização.

Nos últimos tempos, dom Osvaldo já estava com a capacidade de mobilidade restrita a uma cadeira de rodas, necessária para mantê-lo nos deslocamentos necessários para consultas médicas e raras aparições em público.

Apesar das fragilidades de saúde, o bispo emérito marcou presença na celebração de seus 89 anos, diante de uma catedral lotada. Ele reuniu forças para a celebração eucarística, escorado no altar com o padre Lélis ao lado.


Anjo de batina: Pe. Geraldo Lelis (à esquerda) zelou por dom Osvaldo Giuntini nos últimos oito anos
Anjo de batina: Pe. Geraldo Lelis (à esquerda) zelou por dom Osvaldo Giuntini nos últimos oito anos

No início de novembro, dom Osvaldo foi diagnosticado com pneumonia. Iniciou tratamento em regime de home care, mas a piora clínica o levou a ser internado na madrugada do dia 13 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficente Unimar (HBU).

Dois dias depois, a nota oficial da Cúria sobre o estado de saúde do bispo emérito informava a necessidade de entubação devido a um “quadro infeccioso grave” e solicitava “a boa vontade” da oração dos fiéis por sua vida.

 

A DESPEDIDA

Após 18 dias, dom Osvaldo descansou no sono eterno no início da tarde de segunda-feira (1°), em seu leito hospitalar. Encerrava-se ali sua peregrinação terrestre após quase toda uma vida – no caso, 78 anos – dedicados exclusivamente à Igreja Católica.

O corpo do emérito seguiu para o funeral conforme prescrevem os ritos aos epíscopos: vestido com paramento litúrgico roxo por luto, calçado com sapato preto da simplicidade e seu único pálio diocesano.
Fúnebre tradição: corpo de dom Osvaldo foi velado em frente ao altar que serviu | Foto: Érica Montilha
Fúnebre tradição: corpo de dom Osvaldo foi velado em frente ao altar que serviu | Foto: Érica Montilha

As celebrações de exéquias começariam ainda na noite de segunda-feira (1°) – e continuariam pela manhã e início da tarde de terça-feira (2), celebradas por bispos. Dom Luiz Antonio Cipolini conduziu as missas de chegada e despedida do corpo.

Na última, ele esteve acompanhado no altar de dezenas de padres – entre eles, a maioria dos 29 ordenados por dom Osvaldo – além de colegas bispos, a exemplo de dom Paulo Beloto, de Franca (SP), sagrado pelas mãos do saudoso emérito.
Clero de luto: dezenas de padres e bispos compareceram às missas de exéquias de Dom Osvaldo Giuntini
Clero de luto: dezenas de padres e bispos compareceram às missas de exéquias de Dom Osvaldo Giuntini

Ao longo da celebração, dom Luiz agradeceu às manifestações de carinho recebidas pelo falecimento de dom Osvaldo, a quem chamou de bispo “missionário”. Na homilia, não fez qualquer menção de algum momento pessoal com seu emérito, com quem conviveu nos últimos 12 anos.


Separação de bispados: Dom Luiz seguiu seu 'rito' pessoal de despedidas protocolares de colegas de batina
Separação de bispados: Dom Luiz seguiu seu 'rito' pessoal de despedidas protocolares de colegas de batina

Já caía a tarde quando o corpo de dom Osvaldo foi levado para a cripta da catedral. Juntou-se a dom frei Daniel Tomasella e dom Hugo de Araújo Bressane, seus antecessores – e Bento de Abreu Sampaio Vidal (1872-1948), um dos fundadores de Marília e sua esposa, Maria Isabel, aos quais foram reservadas sepulturas exclusivíssima.


Despedida de amigos: Pe. Lelis beija testa de dom Osvaldo Giuntini pouco antes do sepultamento
Despedida de amigos: Pe. Lelis beija testa de dom Osvaldo Giuntini pouco antes do sepultamento
Rumo ao céu: corpo de dom Osvaldo Giuntini faz sua última passagem pelo corredor central da catedral
Rumo ao céu: corpo de dom Osvaldo Giuntini faz sua última passagem pelo corredor central da catedral
Descanso eterno: corpo de dom Osvaldo Giuntini é sepultado na cripta da catedral pelas mãos dos padres
Descanso eterno: corpo de dom Osvaldo Giuntini é sepultado na cripta da catedral pelas mãos dos padres

No altar da primeira paróquia de Marília, criada em 15 de julho de 1929 nas terras de seu residente benfeitor e elevada a catedral na fundação da diocese, em 1952, dom Osvaldo estará lembrado, na missa de seu sétimo dia, neste domingo (7), a partir das 17 horas.


Adeus, dom Osvaldo Giuntini (1936-2025)
Adeus, dom Osvaldo Giuntini (1936-2025)

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