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  • Rodrigo Viudes

VERGONHA EXPOSTA

Atualizado: 10 de Fev de 2019

Panfletagem anônima acusa bispo de Marília de acobertar suposta vida promíscua de ex-vigário diocesano denunciado por dossiê em 2018



Panfleto anônimo espalhado no centro comercial de Marília: acusação consta em dossiê

Funcionários de diversas lojas do calçadão da rua São Luiz, no centro de Marília, depararam-se com uma cena inusitada antes do início do expediente, no começo da manhã desta terça-feira (5): à luz do dia, panfletos esparramados às centenas exibiam imagens de um homem aparentemente se masturbando.

Segundo a publicação, trata-se de um 'escândalo da igreja católica', como se lê na frente e no verso. Abaixo das imagens, uma acusação: 'Bispo Dom Luís acoberta vida promíscua do padre João Carlos Batista da Paróquia N.S. Guadalupe - Marília/SP'. Ninguém assina o panfleto.

Ao lado da denúncia anônima está uma foto do bispo - a mesma de sua coluna no site diocesano (veja aqui) - e o brasão da Diocese de Marília, do outro lado. As fotos que seriam do padre nu são identificadas por um 'nick' característico de salas de bate papo: 'Câmera de MaduroCAM-HH'.


Panfletos foram esparramados no calçadão nas primeiras horas do dia (Crédito: Grupo de WhatsApp)

VIRALIZOU

O derrame dos panfletos ficou mais concentrado nas quadras entre as ruas 9 de Julho e Campos Sales - as de maior movimento do público -, mas alcançaram várias outras vias pela ação do vento. Não demorou muito, o assunto atingiu também as redes sociais e grupos de WhatsApp.

O blog esteve no local no período da tarde e encontrou apenas um panfleto escondido sob a marquise de uma loja. Ainda pela manhã, o serviço municipal de garis limpou todo o calçadão, como de costume, e levou consigo o que ainda havia sobrado dos impressos por ali.

Segundo apurou o blog, os panfletos teriam sido despejados por um veículo que teria passado pela rua São Luiz nas primeiras horas do dia. A via é servida por várias câmeras de segurança - inclusive, no cruzamento com a 9 de Julho, pelo sistema municipal de videomonitoramento, cujo zoom atinge até cinco quilômetros de distância.


Padre João Carlos Batista: ex-vigário geral da Diocese não quis comentar sobre panfletos

DOSSIÊ

As imagens utilizadas no panfleto são as mesmas que haviam sido anexadas em um dossiê anônimo distribuído à imprensa de Marília e região em 2018. Pelo menos sete padres são acusados de diversos tipos de desvios de conduta moral e até de práticas criminosas, conforme divulgou o blog (veja aqui).

Entre eles, o então vigário geral da Diocese de Marília, João Carlos Batista, é o primeiro da lista. Contra ele pesam algumas das mais sérias acusações da denúncia anônima, cujo teor segue sob investigação sigilosa. Segundo o dossiê, o padre teria sido, por exemplo, chantageado e extorquido por causa das imagens.

As fotos, aliás, já eram de conhecimento do presbitério e do próprio bispo que, em maio de 2018, defendeu seu então vigário geral na Circular 03/2018, distribuída ao clero por ocasião de um retiro em Agudos (SP). "Somos solidários com todos(as), na dor e na oração e não compactuamos com esta prática", escreveu dom Luiz.

O motivo da divulgação da circular, o protagonismo nas acusações do dossiê anônimo e o desgaste junto ao clero culminaram com a substituição de João Carlos Batista pelo ex-chanceler Maurício Pereira Sevilha no cargo de vigário geral da Diocese de Marília desde 1º de janeiro deste ano.


Dom Luiz Antonio Cipolini emitiu duas notas, mas não tratou sobre os panfletos em nenhuma delas

OUTRO LADO

Procurado nesta terça (5) para comentar sobre a panfletagem ocorrida pela manhã, o bispo respondeu no fim da tarde, via Centro Diocesano de Pastoral (CDP), com o envio da mesma nota que já havia divulgado em 13 de novembro do ano passado, acompanhada de outra, do Colégio de Consultores, de oito dias antes.

Na ocasião, a manifestação fez referência ao dossiê anônimo. "Os fatos precisam ser apurados para que a veracidade ou não das informações sejam confirmadas a fim de que as providências adequadas possam ser aplicadas", afirmou dom Luiz. A nota do Colégio dos Consultores defendeu o bispo, acusado de omisso pelo dossiê.

O bispo emitiu outra nota nesta quarta-feira (6) pela página da diocese no Facebook - e, horas depois, pelo site da diocese. Novamente, ele nada comentou sobre a panfletagem ocorrida no dia anterior. Dom Luiz argumentou que "nossa Diocese de Marília sofre contínuos ataques anônimos por parte de quem deseja destruir a Igreja" e pediu a "oração de todos neste momento de provação". Confira nota completa abaixo:


O blog também procurou o padre João Carlos Batista nesta terça (5) através de telefonema à secretaria da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, às 15h01. Foi comunicado um número de telefone para retorno, que aconteceu às 15h57. O recado da secretária foi taxativo: "Ele não vai falar com você".


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